loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

O homem de um bra�o s�

Ouvir
Compartilhar

Na década de 60, a série americana O Fugitivo fizera muito sucesso aqui no Brasil, com enredo que mostrava a fuga do médico Richard Kimble caçado pelo Tenente Philip Gerard, que o acusava de ter assassinado a própria mulher na residência do casal. O médico se sentia injustiçado, pois tinha a certeza de que o homicídio teria sido praticado por um homem que avistara saindo de sua casa e que teria uma característica muito particular ? um braço só. Nos anos 90, a série virou filme e novamente e alcançou muito sucesso, mas o homem de um braço só tinha papel secundário. Na semana que passou, outro homem de um braço só fora personagem principal de um crime que se repete nas ruas de Maceió ? o homicídio de desabrigados, cometido logo depois da visita de renomado assessor da Presidência da República, que viera cobrar responsabilidades e atitudes do governo do Estado. A vítima José Sérgio, fora morta na área nobre da Ponta Verde, bem próximo à rua onde ele morava, tornando-se o 23º morador de rua a ser assassinado neste ano de 2010. O homem de um braço só exercia forte liderança entre os moradores de ruas do entorno em que morava e trabalhava como guardador de carros. A mutilação física e a enorme pança sempre visível, tornava-o figura muito notada nos canteiros da orla da Ponta Verde, sempre acompanhado de colegas de infortúnio, contrastando com a beleza do cartão postal. Fui apresentado a ele por seus colegas abrigados na área em frente à Praça do Acarajé, velhos conhecidos do tempo em que ali funcionava a antiga churrascaria O Laçador. Na conversa, preocupado com a segurança pessoal, perguntei sobre os seus colegas que trabalhavam no estacionamento do restaurante que frequento, oportunidade em que minimizou a preocupação e revelara que exercia a sua liderança com bastante autoridade, restando ao liderado os caminhos da obediência, da unidade de emergência ou do cemitério. Sérgio era o autêntico morador de rua, sem referência familiar, usuário de drogas e registros de ameaças dos incomodados e vitimados por ele. A autoridade federal saiu daqui afirmando que os números de moradores de ruas vitimados já eram suficientes para criar um escândalo internacional, visto que São Paulo capital, com cerca de 14 mil deles, registrara apenas cinco homicídios e Maceió, com cerca de 550 (28 vezes menos) já contabilizava 22 (quatro vezes mais). Sinceramente, também escandaloso é o fato da autoridade gastar dinheiro público, pautar a mídia e contentar-se de ter constatado um escândalo, sair daqui sem apresentar nenhuma solução e apenas sugerir que alguém ou alguma entidade estadual cobrasse providências do governo federal, do qual é servidor. Meus sentimentos. (*) É delegado.

Relacionadas