Opinião
Caic� e ex�lio
Na bem bolada charge do Enio Lins, chorando as mágoas nesse vale de lágrimas, a ?direita perniciosa? jaz na tumba, certamente enterrada pela esquerda séria, honesta e benfazeja composta pelos coveiros da família Sarney, por Michel Temer, Jader Barbalho, Tiririca, dentre outros. Com a direita sepultada, entramos definitivamente no círculo promissor que tão bem caracteriza os países esquerdistas: liberdade e desenvolvimento, com justiça social. Adeus pobreza e miséria. Finalmente, banqueiros vão deixar de ganhar bilhões. Corrupção, nem pensar. Doravante, ninguém mais nesse País vai fazer fortuna intermediando liberação de verbas para obras públicas. Nunca mais teremos Erenices, Delúbios, Zedirceus, Silvinhos, Genoínos, Cardeais e outros de iguais calibres. Fora, cuecas. Com a CPMF se vestindo (golpe baixo já previsto), sequiosos por cargos, companheiros e aliados estão, nesse exato momento, de baba escorrendo, exigindo seus quinhões no esquartejamento da viúva. Afinal de contas, a glória nas urnas tem seu ônus. Foram oito anos de sinecuras e ninguém quer largar o osso. Do meu exílio em Paris, acompanhei a empolgante final entre Téo Vilela e Ronaldo Lessa. Desgastado por processos, Lessa exibiu fôlego de gato. Sem dúvida, os importantes apoios que recebeu ? sobretudo do presidente Lula ? pesaram na surpreendente performance. No fim de tudo, o picolé Caicó prevaleceu como a magna estrela do segundo turno. Vilela, cujo maior trunfo é a gestão, até aqui, livre de tormentos morais, não obstante, tem conduzido de forma penosa as questões da saúde e da segurança, feridas narcísicas do seu governo. Na área da saúde, há uma insatisfação dos médicos com os salários e com as condições de trabalho. Encontrar uma solução para o HGE tem sido um desafio. É público e notório que as contratualizações, contemplando grupos específicos, têm se mostrado ineficientes e temerárias. Também não é possível que a Prefeitura, tão expedita quando se trata de arrecadar impostos, seja tão desleixada e irresponsável na hora de pagar. Afinal de contas, há dívidas na saúde que estão completando dois anos. Na humildade do exílio, quero relembrar Joaquim Nabuco e Gonçalves Dias. Nabuco, o combativo abolicionista, afastou-se do País com a queda da monarquia. Ufanista, Gonçalves, longe da pátria, escreveu um dos mais influentes poemas do Brasil. Não resisto à tentação de repeti-lo: ?Nossos bosques têm mais vida/Nossas vidas mais amores//?. (*) É médico.