Opinião
Sete anos do Bolsa Fam�lia
Em 2003, praticamente um em cada quatro brasileiros vivia um cotidiano marcado pela fome e pelo não reconhecimento de direitos sociais básicos. Foi nesse contexto que há sete anos foi criado o Bolsa Família. O enfrentamento daquelas mazelas históricas foi o principal compromisso deste governo. Mais do que unificar os programas, o governo determinou que o aporte de uma renda mínima deveria alcançar a todas as famílias brasileiras cujo acesso aos bens fundamentais estavam comprometidos pela situação de pobreza e de miséria. O programa surgiu com um desenho inovador, baseado na articulação federativa e intersetorial, e tendo metas de atendimento claramente estabelecidas. Os Estados e, especialmente, os municípios foram e são parceiros fundamentais. Por outro lado, as áreas de educação e saúde se uniram à de assistência social para permitir o acompanhamento dos compromissos das famílias e do poder público nessas áreas. O programa beneficia hoje 12,7 milhões de famílias, movimentando anualmente R$ 13,4 bilhões (0,4% do PIB). Estudos revelam que o programa responde por 16% da queda da desigualdade de renda e por quase 1/3 da queda da extrema pobreza observada nos últimos anos. Avaliação de impacto do programa demonstrou efeitos importantes na matrícula, permanência e aprovação escolar, no número de consultas de pré-natal e na vacinação em dia das crianças, na qualificação e inclusão produtiva das famílias, entre outros. A estruturação de uma rede com mais de sete mil Cras (Centros de Referência de Assistência Social), em todo o país, também contribui para que o Governo ofereça às famílias beneficiárias serviços socioassistenciais voltados para outros aspectos de suas necessidades sociais. Além disso, por meio do Cadastro Único, é possível direcionar diversas iniciativas para a população de baixa renda, como o Luz para Todos, habitação, a Tarifa social de Energia Elétrica e o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil. O Bolsa Família se consolida como uma importante estratégia no esforço de combate à pobreza, que permitiu que 27,9 milhões de pessoas superassem esta condição. Representou a consolidação de uma visão republicana e universalista, na qual miséria e fome não são compatíveis com democracia e cidadania. Para a população beneficiária, o programa significou o resgate da dignidade, da autoestima, do seu reconhecimento no espaço público e da cidadania. (*) É ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.