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Opinião

Clamor justificado

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Seriam ou não moradores de rua os 31 assassinados, e listados como tal, em Alagoas? A bem da verdade, essa não é a questão principal. O mais importante, e mais chocante, é que estamos diante de uma realidade de assassinatos, em série, cometidos contra um grupo de pessoas desfavorecidas que dependem das ruas para sobreviver. Não é o mais importante saber se todas as vítimas dormiriam nas calçadas ou em barracos, ou alternavam esses locais de repouso. O fundamental é avançar nas investigações sobre os crimes até agora registrados e criar um sistema de proteção, mesmo que excepcional, que seja capaz de frustrar a continuidade dessa onda de homicídios. O detalhamento dos dados sobre cada uma das vítimas é muito importante. Esse esmiuçamento, indubitavelmente, vai auxiliar em muito o andamento das investigações. Neste sentido procede a distinção entre as vítimas que efetivamente moravam nas ruas e aquelas que poderiam pernoitar noutros locais. Igualmente é significativo o esclarecimento do modus operandi de cada vitimado por essa onda criminosa. Distinguir flanelinhas de pedintes, viciados de não viciados, ligados ao crime e não, etc., é uma prospecção indispensável. Mas nenhum desses esclarecimentos tem o condão de minorar a realidade estarrecedora que está fazendo morada nas ruas de Maceió (verificar a expansão dessa mazela para cidades interioranas também é uma ação prioritária para as investigações). Indignar-se com o horror ao qual estão submetidos os que tentam sobreviver das ruas e, ao mesmo tempo, exigir das autoridades respostas efetivas a essa atrocidade é uma atitude cidadã. Nenhum ajuste nas informações disponíveis pode fazer arrefecer esse clamor pela interrupção dessa onda mortal e pelo esclarecimento desses crimes sequenciais.

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