Opinião
A esmola em pauta
Comentário editado anteontem na coluna Integração, abordando as tensões sobre as possibilidades de ser desencadeada uma campanha contra a doação de esmolas, merece redobrada atenção, dada à complexidade do tema e da multiplicidade dos interesses envolvidos. Pelo informado, a Prefeitura de Maceió estaria com uma campanha publicitária engatilhada onde buscaria esclarecer sobre o destino das esmolas dadas na capital alagoana. A ideia teria sido apresentada durante reunião realizada no Ministério Público Estadual e, depois das primeiras trocas de opiniões, o projeto teria sido engavetado por uns tempos, mas não descartado. As motivações para uma campanha educativa sobre o tema são indiscutíveis, pois a manipulação da piedade é uma das mais ancestrais manobras na história da vigarice humana. Os aproveitadores da compaixão de uns e da miséria de outros estão presentes na literatura dos séculos passados. O esmolador e o esmolambador, mais das vezes, andam juntos. O Aurélio explica que aquele pede esmolas, este tem o sentido de molambo moral, acanalhado, achincalhador. São mais que palavras parecidas. O avassalador crescimento do consumo de drogas, tão baratas quanto destruidoras, como o famigerado crack,multiplicou a dramaticidade da vida dos que dependem da caridade alheia e, de uma forma cada vez mais voraz, conduz as vítimas do vício para o campo dos algozes pela pura submissão total do drogado ao traficante. O baixo preço da ?noia? possibita fácil acesso a essas pedras mortais pelo apurado de poucas esmolas. Prática secular, cresce igualmente a utilização de crianças como chamarizes eficientíssimos para a caridade alheia. Eliminar a esmolaria é ilusão. Mas discutir essa realidade e se contrapor às máquinas de esmolar é uma necessidade cidadã.