Opinião
Comunica��o dos silenciados
Os assassinatos dos moradores de rua em Alagoas têm sido veiculados na mídia nos últimos dias de forma intensiva. Lembro-me que, no início, os jornalistas se esmeravam em colocar o assunto em pauta, contudo, a repercussão ainda não tinha atingido o alcance necessário para que medidas fossem tomadas. No dia 12 de outubro, dedicado à Nossa Senhora Aparecida, padre Walfran Fonseca transmitia ao arcebispo a situação sobre a escalada crescente dessas mortes em nosso Estado. Estando as paróquias reunidas em Porto Calvo, durante a Jornada Mariana, dom Antônio mostrou sua indignação durante a homília, provocando os presentes a se manifestarem diante do ocorrido. Logo mais, em poucos dias, ele emitiu uma nota em nome da Arquidiocese de Maceió. A mesma ganhou enorme repercussão. Era a comunicação dos silenciados. Aqueles que não tinham voz, silenciados pela morte, agora encontravam expressividade através da Igreja. É bem verdade que o jornalismo nos concede o direito à informação, e sempre continuarei acreditando em seu papel social. Não se faz necessário aqui falar sobre sua influência na sociedade. Contudo, parece-me que determinadas pautas já não produzem o efeito necessário. Talvez, nesta, pelo fato de a morte já ser tão presente no cotidiano das pessoas, e por serem as vítimas rotineiramente marginalizadas, a situação inicialmente não tenha provocado as devidas medidas. Por isso, entidades como a Igreja precisam demonstrar sua contribuição na construção da sociedade, manifestando sua opinião e cobrando soluções. Devem-se registrar os esforços de padre Rogério, para que isto acontecesse. Esta união de forças ajudou a pauta a se tornar nacional e até internacional. O Estadão, a Folha de São Paulo, e até a revista eletrônica Fantástico, são exemplos, e junto a tantos outros tipos de mídias fizeram questão de escutar a voz da Igreja. Alguns passos foram dados. Maceió terá projeto pioneiro no Brasil de políticas públicas para pessoas em situação de rua. Investigações se intensificaram. Medidas estão sendo tomadas. Obrigado, Igreja, por defender Jesus Cristo nos marginalizados. E por nos ajudar a reconhecê-Lo, mesmo quando abandonado. (*) É seminarista e jornalista.