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A Rep�blica que proclamamos

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Quando o Marechal Manuel Deodoro da Fonseca proclamou a república, em 15 de novembro de 1889, não somente libertou-nos das amarras que impediam o nosso desenvolvimento, impostas pelo imperialismo português (monarquia), deste a nossa independência, como também marcou o momento histórico que deveria ter motivado aos brasileiros iniciar uma luta política pelos seus direitos como cidadãos, assumindo por completo o significado da palavra República, que vem do latim ?res publica?, literalmente o bem público. Ou seja, o que fez o Marechal Deodoro foi entregar aos brasileiros o direito e dever de cuidar da coisa pública, chamou nossa atenção para a necessidade de tratar a coisa comum acima dos interesses pessoais. Seu gesto, balizado no sentimento maior de servir ao Brasil, característica dos militares do Exército de todos os tempos, não deveria se extinguir no ato da proclamação, mas perpetuasse ao longo da história, impulsionando gerações de brasileiros a cuidar do que é nosso, da sua Pátria e do seu destino. Mas infelizmente a República que proclamamos não encontrou terreno fértil na vontade popular, é sim no meio de alguns políticos inescrupulosos que, em nome dessa república, plantaram suas sementes de ganância, usufruto, nepotismo, entre outras artimanhas que com certeza não visavam o bem público, mas o abuso do público em proveito próprio. Assim, o que era do povo ficou refém de alguns poucos cidadãos brasileiros que, segundo eles, representam a nossa vontade. Será? É por isso que, dos fatos marcantes da nossa história, foi a Proclamação da República a de maior significado político-econômico, a mais abrangente na construção de um País pujante e soberano, e a mais difícil de consolidar-se num País de dimensões continentais e com tantas desigualdades sociais. Cabe a nós, republicanos deste Brasil varonil, proclamarmos diariamente a nossa opção por um Brasil soberano, democrático, construtor do seu destino e que pertence aos brasileiros, não a grupos ou partidos políticos, pois a ?res publica? pertence a todos nós, que juntos devemos lutar para dar ênfase no bem público, que não se confunde com o interesse dos particulares; ressaltando a importância do papel do direito para impedir a violência e o arbítrio; valorizando as virtudes cívicas de cidadania, necessárias para aperfeiçoar a convivência coletiva, voltada para a utilidade comum que tem como um de seus ingredientes o tema da educação pública ao alcance de todos; e continuar, com o princípio federalista como fórmula capaz de conciliar o tamanho com a proximidade, tanto no plano interno quanto no plano internacional. Saber conservar o bem público, utilizando-o como instrumento para o desenvolvimento, valorizando aqueles políticos honestos que se encarregam de transformar nossas necessidades em leis e ações em prol da coletividade e, acima de tudo, manter, como um direito do povo, a indicação da aplicação dos recursos financeiros, é ou será para nós brasileiros a verdadeira Proclamação da República. (*) É tenente-coronel - Cmt 59º BI Mtz.

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