Opinião
Sapi�ncia feminina
Aos 121 anos, a República brasileira festeja a idade nova com uma inovação pioneira: a primeira presidente eleita em sua história. Faltando um mês e meio para a posse da primeira mulher na cadeira presidencial, não se vislumbram perspectivas de inovações outras para o futuro mandato. Pelo menos em termos da macro política, especialmente no sempre estratégico campo da economia. Já há algum tempo, não se ter à vista mudanças na política econômica é um sintoma alvissareiro, especialmente considerando-se os sucessos do último quadriênio, quando o Brasil enfrentou com muita segurança, e venceu, as ondas de choque da maior crise financeira internacional das últimas décadas. Tal foi a solidez macro da economia brasileira que seguramente passou para a história a rotulação como ?marola? do que foi uma verdadeira tsunami noutras praias. A onda destruidora passou e tocou em nossa praia como, efetivamente, uma marola. Mas no horizonte ainda plúmbeo da economia globalizada, os sinais da natureza econômica indicam novas ondas demolidoras. Esbater-se-ão em nossas costas, mais uma vez, como marolinhas? Ou toparemos de frente com ondas de porte, capazes de fazer soçobrar nossas naus? A própria presidente eleita, em sua primeira viagem internacional depois do carimbo das urnas ter chancelado seu passaporte, presente à reunião do G-20, testemunhou a desamonia e os entrechoques do que pode vir a se transformar numa grande guerra cambial mundial. Por enquanto é só arenga e alguns arranhões, mas o pau pode comer pesado. Nossa primeira presidente, reconhecidamente uma mulher forte, decidida e corajosa, precisará unir essas características intrínsecas a uma sapiência política digna dos embates que se avizinham. Seguir adiante passou a ser a única opção para o Brasil.