Opinião
O tr�fico e as mortes
Nova apreensão de dezenas de quilos de cocaína confirma a considerável dimensão do tráfico e consumo de drogas em Alagoas. Reafirma-se também a fluidez e extensão da rede criminosa que trafica com desenvoltura sem se deixar intimidar frente as barreiras estaduais ou pelas fronteiras nacionais. A segunda apreensão, em menos de um mês, de carregamentos em dimensões semelhantes (cerca de 40 kg de pasta de cocaína cada um) demonstra um volume considerável em trânsito de droga por nosso Estado. Pelos cálculos da polícia especializada, essas quatro dezenas de quilos de pasta de cocaína podem se transformar em algo como 240 quilos de crack. Tendo sido localizadas e frustradas duas tentativas de transporte de cerca de 40 kg de pasta-base num intervalo de apenas 20 dias, são assustadoras as suposições para o quanto poderia estar sendo transportado por dia. Com razão as autoridades policiais associam essa explosão no tráfico e consumo de crack com a onda de assassinatos de pessoas identificadas como ?moradores de rua?em Maceió. De certa forma é uma ligação mecânica, óbvia, mas que precisa ser melhor investigada e esclarecida. É verdade que o crack tem se espalhado com especial rapidez nas camadas menos favorecidas da população; é público e notório que os viciados de baixo poder aquisitivo pagam pela droga que consomem com serviços prestados ao traficante; é igualmente de conhecimento geral que as dívidas para com os traficantes são saldadas com a vida do devedor. A lógica indica para uma ligação entre a onda de assassinatos com a tsunami de tráfico e consumo de drogas em Maceió. Mas é preciso ir mais além, comprovando essa tese. Tendo ou não ligações íntimas, essas duas ondas mortais (de assassinatos e de tráfico) os responsáveis por ambos crimes devem ser identificados e punidos de acordo com a lei, e o mais rapidamente possível.