Opinião
Natal de um Deus morto?
Celebramos no último Domingo a Festa de Cristo Rei, uma solenidade na Igreja Católica que indica o encerramento do nosso ano litúrgico. Nela pudemos parar para analisar como foi o nosso ano de relacionamento com Deus, e como cuidamos da nossa espiritualidade. É bem verdade que terminologias como essas, num mundo tão plural, podem até soar desconhecidas. Acostumada a matar Deus, a humanidade distancia-se do projeto divino ao qual foi criada, e as consequências podem ser percebidas no dia a dia. Criamos os nossos deuses, e nossa vida é gerida conforme nosso bel-prazer. Nietzsche é quem parece estar vivo, pois seu pensamento ainda é preservado e disseminado na concretude da vida de alguns... Como início de um novo ano litúrgico a Igreja nos propõe o advento, para que, na expectativa do Natal, possamos fazer um verdadeiro retiro de preparação. A dificuldade em nosso tempo é reavivar o sentido correto do Natal, pois sem isso, iríamos nos preparar para o quê? Vemos sim, uma antecipação desse tempo a partir dos coloridos dos enfeites, das propagandas na televisão, no comércio que efetivamente considera momento singular para a aquisição de lucro. E nós? A que reduzimos esse tempo? Com a tendência de fazer com que a secularização entre no sagrado, em muitas realidades chegamos a perder santos tempos para festas pagãs. O carnaval é prova disso. Seu sentido cristão está longe do que é realizado nas folias daqueles dias. Talvez o leitor desse jornal nem saiba que existe um sentido cristão para esse momento, e se surpreenda, como se fosse uma novidade. Com o Natal que estamos na expectativa de celebrar, rezo a Deus para que Cristo verdadeiramente nasça na vida de muitos. Ele se humilhou ao fazer-se carne, reduzindo-se à nossa condição humana, e assim pode estar intimamente próximo a nós. Não precisamos criar nossos próprios deuses, pois o único Deus já se revelou a nós. Talvez hoje esteja ofuscado. Talvez, esquecido. Talvez, até morto para muitas pessoas. Porém, Ele existe. E há dois mil anos, inúmeros seres proclamam que ainda está vivo. (*) É seminarista e jornalista.