Opinião
Preservativo da vida
Deve ser considerada como um dos mais importantes pronunciamentos de um santo padre, nos últimos tempos, a fala do papa Bento 16 sobre o uso do preservativo, que, em determinadas condições, não seja condenado pela igreja. Evidentemente que tal posicionamento papal não pode ser entendido de forma mais ampla que o fato, ou seja, o pastor de todos os católicos no mundo não liberou o uso do preservativo ad eternum. Assim como não foi emitida ainda nenhuma bula sobre esse tema. Sapiente, o vigário de Roma manifestou uma opinião, cuidando de preservar oficialmente a orientação tradicional da igreja em defender o sexo como um designio divino destinado à procriação, aí sendo descabido o cerceamento desta atribuição conferida pelo Criador. As condições pelas quais seria abençoada a utilização do preservativo ainda esperam uma melhor definição, mas o principal na fala do santo padre é que suas palavras abrem uma fresta de esperança em uma porta até então hermeticamente fechada. Para a preservação da vida em função da prevenção de uma série de doenças sexualmente transmitidas (entre essas, a mortal aids), o uso do preservativo, do tipo camisinha, é o método mais seguro e mais viável, capaz de estender o manto da saúde para muitos e muitos milhões de seres. A intransigência da igreja em proibir radicalmente o uso da camisinha (e de todos os demais considerados contraceptivos) ainda é um dos maiores entraves aos programas de saúde pública no mundo. Travado, esse portal impede a salvação da vida e a manutenção da saúde de muitos milhões. Essa é uma posição que as almas verdadeiramente piedosas torcem para que seja mudada o mais rapidamente possível. E as palavras de Bento 16, mesmo que discretas e cuidadosas, representam um raio de luz numa realidade tenebrosa. Que essa esperança luminosa seja mantida e ampliada.