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Opinião

O Enem, o estresse e os estudantes

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Quando, no futuro, os estudiosos se debruçarem sobre a história do Enem, nos seus erros e acertos, no vai e vem das decisões judiciais, enfim, sobre os exames dos últimos dois anos, talvez seja difícil compreender todo o emaranhado de fatos, que envolveram o Exame Nacional do Ensino Médio. Ficção ou realidade? Durante toda a manhã do primeiro dia de prova do Enem (se não me engano 6 de novembro), havia extraordinária movimentação no ambiente da família Santana. Álvaro e Andressa se preparavam para submeter-se à prova do Enem. Ele, calmo e tranquilo; apesar do turbilhão interior nada deixava transparecer. Andressa, estressada, inquieta, era objeto de atenção da família que bem conhecia seus chiliques. Sua mãe a acompanhara, com ternura, ao longo das noites de estudos do último mês. Durante toda a tarde, a expectativa dos pais continuava. Família de origem humilde, escola pública, recursos escassos, todo o esforço era empregado para que seus filhos entrassem no ensino superior. À noite, reunidos à mesa, os pais custavam a compreender tudo o que realmente ocorrera: folha de resposta na ordem errada e troca de cabeçalhos. Tudo isso era ?grego? para eles. Só nos dias seguintes caíram na real. A mídia dedicava muitas horas à discussão do assunto, mostrando os erros ocorridos. E agora, seus filhos seriam prejudicados? ?Eles merecem melhor tratamento, diziam?. Bem, voltemos ao Enem. O futuro do exame está comprometido? ? Especialistas afirmam que não. Embora sejam absurdos os desacertos ocorridos, o MEC terá que aprender com eles, sem permitir retrocessos. Trata-se de um processo que envolve cerca de quatro milhões de pessoas, mais de três milhões de estudantes, 350 mil fiscais, funcionários e empresas. Se as falhas colocaram em xeque a credibilidade é necessário maior cuidado em corrigi-las. Por que não descentralizá-lo confiando nas universidades que têm experiência nesse campo? Sem dúvida, o Enem é mudança conceitual capaz de avaliar competências, habilidades e conteúdos; tenta deixar de lado a decoreba, o ensino focado em memorização, caminhando para a valorização da compreensão e do raciocínio crítico. Vale a pena persistir. Tem sido grande a pressão psicológica sobre os estudantes, num momento decisivo de suas vidas, em que estão definindo a escolha de suas profissões futuras. Sou apaixonado pela educação e me junto aos que têm fome de esperança, aos que necessitam acreditar na evolução e aprimoramento do sistema educacional. Basta de estresses, de prejuízos emocionais para os estudantes. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.

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