Opinião
O papa, o preservativo e a for�a da Palavra de Deus
Mais uma vez, a imprensa fez um estardalhaço em torno de uma declaração papal. Dessa vez, foi a colocação do papa ? em um livro a ser lançado em breve-, sobre o uso justificável de preservativos em situações de risco, caso, por exemplo, da prostituição. Não há nenhuma novidade nas palavras de Bento 16. Ele apenas citou um exemplo que na prática pastoral da igreja já acontece. E não somente no caso do uso da camisinha, mas também em outras áreas da moral a igreja vê primeiramente a pessoa, cada situação concreta, sem abrir mão daquilo que o Senhor Jesus espera dela. Mas aqui nosso interesse é a reação, como já apontamos, da mídia. Reações estapafúrdias, carentes de um conhecimento e mescladas de má-fé, levaram até certos jornalistas a aconselhar a aposentadoria do santo padre, pois, segundo eles, ninguém mais o escuta. É assim: a cultura ocidental já não mais busca sinceramente a verdade, mas elege uma afirmação, retira-a de seu contexto e a usa para desmoralizar um líder religioso, representante não somente dos católicos, mas de um dos pilares da nossa cultura: o papado. Para o mundo Ocidental, o catolicismo vive em guerra com a modernidade. Os ditos pensadores atuais querem fazer pensar que os católicos vivem sob os ditames arbitrários do papa, dos bispos e dos padres, que lhes dizem o que devem ou não fazer. Trata-se de um conjunto de normas imutáveis, que não satisfeita, a hierarquia ainda busca tenazmente impô-las à sociedade em geral. O Catolicismo, no entanto, não é nada disso. Conforme afirma o papa Bento 16 na recém-lançada exortação apostólica pós-sinodal ?Verbum Domini?, o Cristianismo não é a religião do livro, da letra morta e muda. O Cristianismo é a religião da Palavra de Deus, Jesus que se fez homem, assumindo a nossa natureza. Assim, a Palavra de Deus é uma pessoa, com a qual podemos estabelecer uma relação de amizade. Ser cristão, ser católico, portanto, é encontrar-se com a Palavra Viva e não com um conjunto de normas frias. Essa Palavra tem o poder de iluminar as mentes, aquecer os corações e transformar as atitudes. O papa, os bispos e os padres não são os ?donos da verdade?, como o Ocidente pagão nos quer fazer pensar. Eles são servos e guardiões da Palavra. Eles propõem aquilo que eles também como cristãos experimentaram e buscam sinceramente viver: a força viva de Jesus. É por isso que o papa não fala somente para os católicos, mas para o mundo todo. Não para impor nada, mas como uma voz que clama para fazer pensar, propondo um jeito diferente de viver. Somente acolhe suas afirmações aqueles que também já experimentaram a força da Palavra de Deus em sua vida. (*) É seminarista e psicólogo.