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Enem – voc� pode confiar

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?De boas intenções o inferno está cheio?. Desde criança ouvimos esse ditado e parece-nos que com o passar do tempo ele se torna mais verdadeiro e atual. Vou direto ao ponto, pois foi com ?boas intenções? de avaliação que o Enem foi criado, todavia colocou no ?inferno? milhares de alunos, e mesmo que essa metáfora pareça forte, foi sim o ?inferno? na mente desses jovens que se dedicaram por inteiro a esse objetivo, sendo prejudicados diretamente pelos erros e falhas nas provas ou pela falta de credibilidade desse exame. E o que dói mais é vermos que os órgãos responsáveis, após minimizarem o incidente, usam de ações judiciais, sem avaliar o que pensam ou pelo que passaram as vítimas do Enem e seguem tocando o barco vazando água, restringindo-se a subestimar o sentimento de decepção desses esforçados jovens, afirmando que ?até o momento foram identificados 2.817 estudantes, menos de 0,1% do total? (nota oficial do Inep). Evidente que num universo numérico de mais de dois milhões de estudantes, como estatística, parece insignificante. Mas, se considerarmos no sentido de respeito à pessoa humana, seus esforços e ao quanto geraram de expectativa nessa luta por vencer, esse erro deixa de ser numérico para ser desumano na maneira como está sendo tratado. E vamos mais além: esses são os que sofreram prejuízo mais direto. E os outros milhões de estudantes que, a essa altura deverão estar questionando, no caso de um fracasso, pela perda de credibilidade tanto foram os desacertos? E porque não pensar nas famílias que sofrem com o sofrimento de seus filhos ou parentes, por vê-los de repente cheios de dúvidas e interrogações? Mas, não. Para os órgãos oficiais os erros e falhas inaceitáveis para um evento desse porte, com tanta gente e tanto dinheiro gasto, parecem facilmente corrigíveis, pois afinal marcaram novo exame para as 13 horas do dia 15 de dezembro ? uma quarta-feira ? isso para evitar coincidência com datas de vestibulares. Esqueceram, porém, que o ITA ? Instituto Tecnológico da Aeronáutica, um centro de excelência de ensino desse País, bem como a Universidade Federal do Piauí ? também excelente IES, têm vestibular nessas datas. Mas, afinal o que é 0,1% de pessoas quando os milhões de números engordam o marketing oficial? Aliás, a Defensoria Pública da União, no Rio de Janeiro, já afirmou que vai pedir na Justiça o pagamento de indenização no valor de 1 salário mínimo (R$ 510,00) para cada estudante que se sentiu prejudicado pelo Enem. Como se o dinheiro comprasse os transtornos morais das vítimas. Há, todavia, o alento de que o Defensor Público da União, no Rio de Janeiro, afirma que vai entrar com uma ação pública por danos morais contra o MEC, o Inep e o consórcio responsável pela realização das provas. O processo valerá para todo o País. O propósito, segundo a notícia veiculada na mídia, é para que o governo sofra uma ?sanção pedagógica?, algo em que o MEC é tão pródigo em usar contra as Instituições de Ensino Superior, através do Enade ? outro método questionável de avaliação ? que já cometeu injustiças e erros inomináveis e que quando questionado alega que será corrigido quando e como lhe apraz. Mas essa ? o Enade ? é outra história de ações confusas e errôneas que será comentada quando do momento adequado. Em suma, errar é humano, o mal é não se ver e nem querer ver as consequências e sequelas que uma avaliação errônea pode causar. Que todos sejamos avaliados ? é importante sim ? mas que o sejamos de maneira justa e correta. Para isso é que serve a Educação. (*) É educador e ex-ministro da Educação.

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