Opinião
Viol�ncia, MP e Judici�rio
Sempre fui apaixonado pelo Rio de Janeiro. Com Maceió, são as duas cidades mais bonitas e agradáveis do Brasil. Sem falar das outras atrações naturais e culturais: as praias, os teatros com suas peças de autores nacionais, a Lapa, o Canecão.Tanto apreço fez com que levasse os meus três filhos ao completar 10 anos, para conhecer a cidade. Depois eles tiveram oportunidade de viajar para o exterior, mas já conheciam o Rio e podiam fazer as suas comparações. O que está ocorrendo no Rio é nada menos do que uma guerra franca e aberta, fruto dos limites ultrapassados pela população na mefistofélica convivência forçada com a criminalidade; isto fez com que jornalistas extremamente equilibrados como Jânio de Freitas escrevesse: ?E, sem rapapés, a verdade simples é que os bandos do crime bem armado já não deixam margem alguma para serem enfrentados com padrões menos bárbaros do que os seus próprios?. Ao que chegou o Rio, no tocante à violência e na sensação de insegurança generalizada, como um vampiro insaciável, muito tem a ver com a tolerância que as autoridades de todos os poderes constituídos conviveram promiscuamente com a criminalidade durante muito tempo. Em Alagoas a recente matança de moradores de rua,embora tenha se aventado a possibilidade de se cumprir ali um desígnio de grupos de extermínio organizado,muito tem a ver com o consumo e tráfico de drogas, praga que a Gazeta de Alagoas em edição recente denunciou estar se propagando em velocidade ultrasônica principalmente na orla,região preferida pelo turismo, fonte de receitas essencial ao Estado. O que acontece hoje no Rio muito tem a ver com a tolerância com os desmandos, com os aparentes pequenos delitos que foram se avolumando e se encorpando até formar a maléfica massa crítica atual. Agora despertas e unidas as autoridades, principalmente o Judiciário, tanto enviam os criminosos para longe do Estado como agregam no contingente anticrime as Forças Armadas até então alheias ao clamor popular. Em Maceió, uma pacífica comunidade há tempos está padecendo com os desmandos e excessos oriundos de uma conhecida boate situada na Rua Valdo Omena. Nas suas imediações, o vandalismo e a violência provenientes de seus freqüentadores varando as madrugadas tem levado o terror aos moradores da região. Embora desesperados ainda confiam que as autoridades ? o Ministério Público tem agido exemplarmente ? principalmente Judiciário ,cumpram com as suas obrigações e não deixem que a situação em Maceió descambe ao ponto de fugir totalmente ao controle. (*) É médico e professor da Uncisal.