Opinião
Ano lit�rgico: o tempo da gra�a
No último domingo, dia 28, os católicos iniciaram o ano litúrgico de 2011. Com o tempo de preparação de quatro semanas para o Natal, chamado Advento, adentramos em um dos tempos fortes deste novo ano. Para nós já é um novo início, uma nova caminhada. Mas o que é um ano litúrgico? O ano litúrgico é o desenrolar das celebrações dos mistérios de Cristo no decorrer do dias do ano civil. No arco dos dias deste mundo, celebramos as coisas do céu. Deus se revelou à humanidade, dirigiu-nos a Sua Palavra, enviou-nos Jesus, a Palavra encarnada. E Nele renovou todas as coisas, por sua paixão, morte e ressurreição. E não somente: terminado os seus dias neste mundo, o próprio Cristo deixou como mandato fazer memória Dele através dos tempos, todas as vezes que celebrássemos a Eucaristia, a liturgia por excelência. E no sentido bíblico, fazer memória não é recordar, mas tornar presente um evento passado. Assim, todas as vezes que no decurso do ano civil os católicos fazem memória, na liturgia, dos eventos da vida do Senhor Jesus ele se torna uma presença que enche de vida os dias deste mundo. É esse o principal sentido do ano litúrgico não coincidir exatamente com o início e o fim do ano civil: mostrar que, por Jesus, o tempo de Deus entrou no tempo do mundo, o Eterno no que efêmero, o tempo da graça no tempo cronológico. Para os católicos, celebrar dentro de cada ano civil o ano litúrgico não é repetir um conjunto de celebrações. Trata-se de experimentar o Senhor que vem sempre, abrindo-nos para o novidade da sua presença, que nos permite ver a vida sempre de uma forma diferente. A cada novo ano, sentimos que a noite desse mundo já vai adiantada, e a eternidade já se aproxima, começando já aqui mesmo. Observemos o mundo. A cada evento que passa fica aquela sensação de vazio, e, de repente já começamos a falar em outro assunto. Até há pouco, eram as eleições, agora são as vendas do tempo de Natal. Em janeiro, a pauta do dia será as matrículas escolares, o IPVA, seguida da preparação para o carnaval. Mas para quem crê, para quem vive celebrando, a vida neste mundo tem um outro gosto. Tudo ganha sentindo porque descobrimos que, como nos diz o livro das Lamentações (Lm 3,22-23) ?as misericórdias do Senhor se renovam a cada manhã, grande é a Sua fidelidade?. A vida não é, portanto, um ciclo repetitivo, um fardo. É uma progressão rumo àquele que contém a plenitude do sentido da nossa história pessoal e da história do mundo. Por isso, a cada manhã ele nos incita dizendo: ?vamos, levantem, coragem, o meu amor faz de cada dia um novo começo!?. . (*) É seminarista e psicólogo ([email protected]).