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Opinião

Fraternidade universal

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Perde-se, talvez na noite dos tempos, o início da escravatura no planeta Terra. Numa sinopse histórica, podem ser considerados os aspectos gerais da escravatura no mundo, a começar pela patriarcal, em cujo seio o escravo era destituído de qualquer capacidade para quebrar os elos que o acorrentavam ao domínio do senhor, como se fosse simples coisa ou animal de propriedade do seu dono. Daí os festejos realizados em Alagoas e no Brasil, nesse último 20 de novembro, consagrado como o Dia da Consciência Negra. Afirmam, autoridades na espécie, que o estado de escravidão se originou na sociedade primitiva ou tribal, das guerras, ou melhor, das lutas quase intermináveis que entre si travavam. É claro que os vencidos, quando não exterminados sob as pontas de lanças, ficavam à mercê dos vencedores, escravizados de acordo com as conveniências dos amos ou senhores prepotentes. Estava lançada, pois, em glebas regadas a suor e sangue, a semente doentia da escravatura, na face do planeta, da qual haviam de nascer da árvore escravocrata, de frutos amargos, que continuam a travar no paladar das sociedades de todos os tempos. Tais fatos, ocorrentes na lentidão das primitivas épocas, deram-se ?quando os povos coletores e caçadores, antes da tração animal, avançaram para o regime pastoril e de sedentarização agrária?. Daí, ao ultrapassarem o período da germinação social, esses costumes, por modificações sucessivas, refletiram-se na organização de povos evoluídos que os legalizaram nas relações odiosas de compra e venda de escravos, quais se fossem meras mercadorias para o consumo insaciável de exploração de seres humanos. Desse ponto de vista, já se projetava a concepção espúria de exploração do homem pelo homem. Exposto o mesmo histórico do problema de escravatura humana na face do planeta, ressalte-se que a escravização do homem pelo homem não se verificou, exclusivamente, entre raças de coloração de epidermes diferentes. Consequentemente, na data de 20 de novembro, foi lembrada a grande figura, legendária mesmo, de Zumbi dos Palmares, morto em 1695, tragicamente nos últimos combates travados na Serra da Barriga, em União dos Palmares, igualando-se a Espártaco, herói gladiador romano e tombando finalmente numa luta heróica pela liberdade da Pátria brasileira, imolando-se na solidão da histórica Serra da Barriga. (*) É procurador de Estado e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas.

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