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Imund�cia urbana

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Princípio de tumulto acontecido na segunda-feira atesta problemas de gestão pública em uma das áreas nevrálgicas da urbanidade: a limpeza pública. A sujeira urbana é um problema secular e até, em seus tempos bárbaros, o hoje asseado primeiro mundo sofreu horrores por conta da imundície em praticamente todas as mais expressivas cidades europeias. Tantas eram as sujidades nas urbes medievais que esta condição é considerada uma dos elementos definidores para a eclosão e espalhamento da peste negra, que, conduzida pelas pulgas dos ratos que infestavam os assentamentos humanos, causaram um número de mortes estimado entre 25 e 75 milhões de pessoas, que significa dizer que aproximadamente um terço da população europeia pereceu naquele tempo. A modernidade difundiu conceitos de limpeza urbana (além do asseio pessoal, lógico), mas boa parte do globo ainda chafurda nos entulhos da medieva época. O tumulto em questão foi principiado por pura revolta de comerciantes de uma das ruas centrais de Maceió, a Barão de Alagoas, frente ao lixo acumulado. Toneladas de lixo, em sua maior parte resíduos orgânicos descartados a céu aberto formavam uma espécie de tapete apodrecido sobre as calçadas e o próprio leito da Rua Barão de Alagoas. E as empresas responsáveis para a realização da limpeza urbana não davam sinal de vida até que os protestos forçaram a presença de um funcionário que garantiu que, um dia, o serviço seria feito. Essas empresas, algumas sob o foco do Ministério Público, precisam justificar seus ganhos. Mas deve ser combatida a irresponsabilidade do descarte do lixo em via pública. O sujador deve ser punido, seja ele quem for, pois a urbanidade começa com a postura individual do cidadão frente a seu compromisso para com o bem público. Antes de cobrar a limpeza, deve-se não sujar.

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