Opinião
Advento da paz
A tomada pelo Estado da Vila Cruzeiro, entre o complexo de favelas da Penha e do Alemão no Rio de Janeiro, em meio a protestos da bandidagem, com a queima de dezenas de veículos, tiroteio e todo o tipo de medo que dominava até então a população, traz esperança e paz por dias melhores. Acostumados com todo tipo de repreensão, entre elas a lei do silêncio imposta pelos traficantes, em que até então estavam submetidos, populares apoiaram a ação planejada e bem articulada das forças militares, em restabelecer a paz. É sabido que esta ação por si só não resolverá o problema de um mal que escraviza milhares, será necessário muito trabalho e persistência para se estabelecer um clima de pacificação. E neste, só existem dois lados: aqueles que dominam e não querem perder seu poder, que revidam, fogem e buscam novas vítimas; e aqueles que saúdam, recebem e se alegram com o novo tempo e vão lutar por ele. O Advento traz consigo um grito de basta, uma mudança para melhor. ?O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz? (Isaías 9.2). Parecem palavras que cabem bem a ação policial e militar desenvolvida nesta guerra no Rio de Janeiro, mas elas se aplicam a outro Advento de Paz anunciado. Advento é sinônimo de vinda, chegada, é o período de quatro semanas que antecedem o Natal, justamente um tempo de espera e preparo para aquela ação muito bem articulada e planejada por Deus para trazer através do Príncipe da Paz, esperança e salvação a todos. Os objetivos dos Adventos acima lembram que a intenção é recuperar o que foi tomado de maneira criminosa, trazer a liberdade perdida, a vida que estava por um fio. Assim, ?não podemos recuar, não podemos desistir, não podemos perder a oportunidade? (José Mariano Beltrame ? Secretário de Segurança do Rio); ?Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus? (Isaías 40.1). Se o objetivo é consolar, trazer sol no fim deste túnel, então todo investimento é necessário! O Estado fez uso dos melhores recursos disponíveis para esta ação inédita; Deus também fez uso daquilo que de melhor poderia oferecer, o próprio se colocou no ?front? para trazer paz e salvação não só para ser vista num Rio de Janeiro ou Belém da vida, mas entre todas as nações, a todo aquele que nele crer! Por isso ambas as ações podem ser vistas como benção ou maldição (Lucas 2.34), depende de qual lado cada um está. (*) É teólogo e pastor da Igreja Luterana em Maceió.