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Opinião

Uma igreja centen�ria

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A Igreja de Jesus que está em Olinda-Recife comemora, neste dezembro, os cem anos de sua caminhada na história de Pernambuco como Arquidiocese. Como prelazia, fora criada no longínquo 1614, sendo seu primeiro pastor o pe. Antonio Teixeira Cabral. Em 1676, fôra elevada a diocese pelo papa Inocêncio 11, com o título de diocese de Olinda. Seguiram-se daí seus 24 bispos até Dom Luís Raimundo da Silva Brito, nomeado em 1901. Em 5 de dezembro de 1910, Olinda foi elevada a Arquidiocese e só em 1918, com D. Sebastião Leme como Arcebispo, o papa Bento 15 deu-lhe o título de Arquidiocese de Olinda e Recife, duplo nome que até hoje conserva. São ao todo 31 bispos, entre os quais 8 arcebispos até o atual e já tão querido do povo do Recife, Dom Antônio Fernando Saburido. Tive o privilégio de conhecer os seis últimos arcebispos. Fui crismado por Dom Miguel de Lima Valverde (1922-1951). Homem severo, de absoluta pontualidade em seus compromissos pastorais, foi muito amado por seu clero e pelo povo. Era baiano e seguiu-se-lhe um mineiro, Dom Antônio de Almeida Morais (1951-1960), vindo da diocese de Montes Claros. De início, ganhou logo muita popularidade, mas também sofreu por ingratidão de pessoas, que trouxera de Minas. Grande orador, tinha aquilo que os romanos chamavam de ?sermo corporis?, isto é, já impressionava pela imponência de seu físico. Do Recife, foi transferido para Niterói. De Nazaré, foi para o Recife Dom Carlos Gouveia Coelho. Em seu breve pastoreio de apenas 4 anos incompletos, como grande organizador que era, procurou organizar a diocese. Suas audiências no Palácio dos Manguinhos eram rigorosamente programadas por categorias eclesiais. Lembro sua determinação em anotar quantas comunhões exatamente eram dadas em cada missa, contando um a um os comungantes e não mais apenas anotando no calendário o número das partículas colocadas para consagração, como era feito antes. Criou uma assistência sacerdotal no pronto-socorro de 24 horas por dia, com 4 sacerdotes diários, que mensalmente assumiam o compromisso de assistir aos acidentados. Faleceu em consequência de uma operação no Rio em março de 1964. Seguiu-se-lhe poucas semanas depois, o cearense Dom Hélder Câmara, conhecido mundialmente como o Pastor da Paz. Pela sua atitude desassombrada em defesa dos pobres, dos oprimidos e injustiçados, foi admirado no mundo inteiro e, no Brasil, foi duramente perseguido pelo regime, que lhe cortou todo acesso aos meios de comunicação, sem que por isso sua palavra corajosa deixasse de chegar às massas oprimidas. Ao seu lado, estava como bispo auxiliar o pastor do silêncio, Dom José Lamartine Soares, a quem eu tive a honra de suceder no sólio de Maceió, que ele infelizmente, nomeado pelo santo padre, não chegou a assumir por uma insidiosa doença. Depois de Dom Hélder, em 1985, veio de Paracatu (Minas) o pernambucano de Caruaru, Dom José Cardoso Sobrinho. (*) É arcebispo emérito de Maceió.

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