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Opinião

Lix�es em brasa

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Aumentativo apropriadamente definidor de um grande problema, ?lixão? é um termo devidamente incorporado ao moderno vocabulário brasileiro. Em sua origem e significado mais corrente, o termo pretender-se-ia nomear um grande acúmulo de resíduos sólidos, mormente reunindo a coleta do descarte de uma cidade (ou bairro de grande porte). Com passar do tempo e o vertiginoso crescimento dessas montanhas de dejetos, o termo passa a ser sinônimo de um problema gigantesco, de fundo impacto ambiental, social e econômico. E os lixões proliferam-se, malgrado todos os alertas sobre seus malefícios. A primeira vista, um dos males óbvios dos lixões é o próprio impacto visual. Dispensando-se maiores descrições dessa visão repugnante, deve-se assinalar a estupidez de localizar tais impropriedades urbanas exatamente nas rotas turísticas, como em Maceió e no Litoral Sul. E no badalado Litoral Norte, vetor dos mais procurados em Alagoas pelo turismo nacional e internacional, embora localizados em pontos menos visíveis, os lixões crescem irresistivelmente. E, nesse crescimento, aumentam os riscos de toda ordem. O caso de Porto Calvo é emblemático. Pelo registrado em reportagem publicada na quarta-feira, no dia anterior o lixão de Porto Calvo completava nove dias de queimor. A fumaça intensa, incontida, dificultava a vida das pessoas e comprometia o ecossistema local. Localizado às margens da AL-465 Norte, esse lixão nada mais faz que cumprir sua triste sina. A autocombustão é uma delas, pois o acúmulo de gases associado às condições climáticas não poderiam causar outra coisa senão o popular ?fogo de monturo?. Com o inchaço dos centros urbanos associado à inação das autoridades responsáveis, os lixões e seus transtornos crescem a olhos vistos. Pena que não queiram ver.

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