Opinião
Guerras paralelas
Ao embarcar para São Paulo esta semana, encontrei o aeroporto dos Palmares transtornado: sem luz elétrica, as filas eram imensas, não existia ar condicionado nem escadas rolantes e os voos estavam atrasados. Em Guarulhos o ambiente era muito mais deteriorado, mas em Congonhas a situação era ainda pior, com cancelamentos de vôos, passageiros em condições críticas de saúde, com voos marcados para suas cidades de origem postergados para dois, três dias depois. E a temporada natalina nem começou. A mídia paulista dá imenso destaque a situação do Complexo do Alemão no Rio, as maiores preocupações são com a permanência de sete meses do Exército, teme-se a contaminação da última fronteira militar, tal qual aconteceu na Colômbia. Embora o clima seja de euforia, os mais lúcidos reiteram que sem controlar a corrupção na Polícia, a situação atual não se consolidará. A guerra contra o crime continua. Outra guerra paralela ocorre em Brasília, entre o PT e o PMDB ? e dentro dos partidos ? para ver quem ocupa mais espaço no governo Dilma; uma charge publicada na Folha mereceria a chancela do sagaz cartunista Ênio Lins: remando em um pântano negro, rodeado de cabeças que emergem do lodaçal, Lula explica para Dilma:?Os de cabeça quadrada são do PT, os de garras afiadas saindo para fora do maxilar são do PMDB?. Outra guerra aberta é a divulgação de imenso volume de informações sigilosas do governo norte-americano pelo site WeakLeeks; entre outras possíveis inconfidências espera-se que venha a tona a questão da compra dos caças franceses Rafalle pelo governo brasileiro:no estudo de 27 mil páginas da Aeronáutica sobre a questão, sabe-se que as aeronaves francesas só foram compradas pela própria França,nunca entraram em combate, são três vezes mais caras que os Gripen suecos, custam o dobro dos FX-18 americanos, além do que a hora-vôo custa 11.000 dólares, o triplo do custo dos concorrentes. Mas os milhares de passageiros-eleitores que vão comer o pão que o diabo amassou nos voos deste fim de ano no Brasil, poderão se consolar de suas aflições: Lula vai comprar um novo avião, ao custo de 500 milhões de reais para que a futura presidente Dilma não passe ?nenhum vexame? com escalas nos aeroportos deste imenso mundo: afinal no AeroDilma,a autonomia será suficiente para ir ao Irã,confraternizar com Almadinejhad,retornar via Cuba para um mojito com Fidel e nem precisará fazer escala em Washington para encontrar o chato do Obama. (*) É médico e professor da Uncisal.