Opinião
Aids, aborto e a entrevista do papa parte 1
As declarações do papa Bento XVI a respeito do uso da camisinha ao jornalista e escritor católico alemão, Peter Seewald, em seu livro ?Luz do mundo: O papa, a Igreja e os Sinais dos Tempos? trouxeram muitas surpresas para todos. Mas diante desta discussão, podemos levantar alguns questionamentos que poderiam ser louváveis e que nos permitem um entendimento maior do que venha a ser um fato corriqueiro para nós que estamos acostumados a presenciar preservativos nos balcões das farmácias e até mesmo sendo entregue por órgãos de saúde para conter a natalidade e a transmissão das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs). E depois de uma entrevista, o mundo passou a discutir o posicionamento de uma autoridade religiosa e quando se trata da questão da abertura do diálogo sobre uma possível liberação da camisinha traz um impacto na sociedade que ainda ver, ou melhor, que enxerga o que a Igreja Católica quer que enxerguemos, uma instituição que não se abriu para o século 21 e ainda permanece presa aos conceitos primitivos e que não se abre para um diálogo universal. Certamente tal atitude de uma autoridade que regi e pastoreia ao mesmo tempo uma igreja que querendo ou não é a que ainda tem uma força e um poder de persuasão nas mais diversas escalas da sociedade, tenha enfrentado e esteja enfrentando poucas e boas, uma vez que a própria Igreja Católica congrega diversas tendências que vai da linha bem conservadora até mesmo as mais liberais e que sem dúvidas movimentos religiosos da própria instituição, que em outrora vivia pregando que era pecado o uso da camisinha esteja pressionando de diversas formas o Papa para reverter a situação e fazer-lo torna ?não dito o que foi dito?. Mas que tamanha atitude do líder religioso tem de ser aceita e que a sociedade de religiosos, não apenas os católicos, também se abram a discussão para a problemática que assola o mundo em decorrência de que a vida está sendo prejudicada e que anualmente milhares de pessoas estão sendo vítimas e morrendo por meio das DSTs e pelo vírus da Aids. Uma vez que a igreja tem um discurso de que protege a vida, que é contra o aborto em todas as esferas e qualquer meio que prejudique ou atinja o que segundo ela é ?templo e morada do Espírito Santo? é pela mesma abominada e diante disto é um tanto questionável que essa mesma instituição não combata na essência aquilo que é responsável pelo desmoronamento de inúmeras famílias, e que faz sofrer pessoas que querem apenas ter uma noite de prazer. Não podemos esquecer que com o uso da camisinha no ato sexual o número de abortos poderá ser reduzido, devido ao tabu a respeito do seu uso no meio dos jovens, pois segundo estatísticas, o aborto é praticado por jovens que não se permitem usar o preservativo em decorrência dos seus princípios religiosos e que no fim do ato, as consequências os levam a fazerem o aborto para não carregar o que muitos chamam de fardo e para não ser mal vista pela sociedade ou pela família. (*) É estudante de Jornalismo.