Opinião
Mero triunfalismo?
Tema de justificada repercussão na mídia internacional, a mudança de atitude do Estado brasileiro em relação ao domínio do crime organizado nas favelas cariocas ocupou espaços privilegiados em algumas das maiores publicações mundiais. Numa delas, a revista britânica Economist, um alerta editorial merece ser lido com atenção. Diz a prestigiada revista inglesa que o que se considera ?liberação?das áreas até então dominadas pelo crime organizado, se não for devidamente mantido pelo Estado, pode ser converter em ?mero triunfalismo?. Jargão mais usado há tempos, ?triunfalismo?quer dizer uma falsa avaliação sobre uma vitória (política, militar, ou em outros campos de embate). Como se sabe, a palavra triunfo significa uma maximização da vitória. Os césares romanos, quando venciam batalhas decisivas, resultantes de conquistas de grande envergadura, definam-nas como um triunfo, mormente fazendo desfilar nas amplas avenidas romanas os líderes derrotados e aprisionados. Nesses cortejos triunfais, as presas de guerra eram igualmente expostas ao público (armas, tesouros, obras de arte e até animais tomados aos inimigos). Grosso modo, o triunfalismo é um erro que pode ser traduzido também pela antecipação do ?desfile triunfal?. O inimigo pode não estar completamente derrotado, pode ter sofrido um revés (mesmo duro) e depois poderá voltar à lide, desmoralizando a avaliação de que a parada estaria definida. Como o Estado brasileiro tem cuidado de não dizer oficialmente que venceu a guerra, a doença adolescente do triunfalismo não lhe pode ser diagnosticada, apesar de um ou outro sintoma aparecer em alguns pronunciamentos. Mas vale a pena prestar atenção ao alerta dos jornalistas britânicos. A guerra pela libertação das favelas cariocas está longe de findar. Uma batalha, a primeira de envergadura, foi vencida. Mas...