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Resta a esperan�a

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Ter de entrar no aeroporto, quando a meta era seguir em frente; fazer um retorno quilométrico ao chegar de viagem aérea, por causa da lenta construção de um viaduto, isso por meses e meses a fio; ver interrompida uma ligação entre um bairro e o centro da cidade, mais precisamente entre a Rua Formosa e a senador Mendonça, motivada pela implantação do VLT, levando o contribuinte a longos desvios; esperar uma eternidade pela via do Vale do Reginaldo, que, apregoa-se, facilitará o tráfego da Fernandes Lima; seguir, sem rumo, as placas de ?desvio? das obras na parte baixa da cidade e outras mais, que não me vêm à lembrança, é um testemunho da capacidade do alagoano de absorver esses desconfortos, sem que se revolte ou simplesmente reclame. Sabe-se que, nos casos acima, os fins são nobres, mas nem sempre justificam os meios. Se o viaduto iria demorar, que se providenciasse um retorno provisório mais próximo. Se não se conseguisse tirar a conhecida Feira do Rato, desobstruísse a passagem, enquanto isso. Como se vê, falta vontade política para resoluções simples de problemas que afetam o dia a dia daqueles que foram e são bafejados pela sorte. Esses conseguem levar adiante sua sina. Mas, existem outros que o destino, além de não beneficiá-los, consegue tirar o pouco que ainda lhes resta. Caso dos desabrigados, já se vão seis meses, da região do Vale do Paraíba. É para essa parcela de infelizes que o poder público precisa tomar, além de atitudes políticas, atitude de Estado. Em entrevista à revista Veja, o presidente do Chile, Sebastián Piñera, dá um belo exemplo de como se ter vontade de solucionar problemas que não podem ser protelados. Assumindo o poder logo após seu país ser atingido por um dos cinco maiores terremotos da humanidade, seguido de maremotos, causando uma destruição material gigantesca, com morte e desaparecimento de centenas de compatriotas e 1,25 milhão de crianças fora das salas de aula ? uma em cada três crianças chilenas ? já em 45 dias todos os alunos tinham voltado às aulas; em noventa dias, construídas oitenta mil moradias provisórias; afora portos, aeroportos, estradas, pontes e prédios públicos. Não bastasse, assumiu, pela nação, um acidente em empresa privada pois era sabedor que se não o fizesse seriam 33 mineiros mortos. Mesmo com o risco de fracasso e a recomendação de assessores para não se envolver, resolveu buscá-los como se seus filhos fossem. No caso tupiniquim, não sendo debilidade financeira, pois enviou-se dinheiro para catástrofes no mundo inteiro, é, de fato, falta de atitude de Estado. Para os desabrigados só resta a esperança, que como disse Rivarol, é um empréstimo que se pede à felicidade. (*) É bacharel em Economia.

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