Opinião
Pessoas normais em estruturas deficientes
Recentemente, uma eleita deputada federal alagoana encontrou dificuldades na Câmara Federal, em Brasília, por não encontrar condições de acessibilidade à pessoas com deficiência, e assim não permitir sua autonomia, visto que é cadeirante. Essa realidade já tinha sido por ela também enfrentada antes de assumir vaga na Câmara Municipal de Maceió. E agora, em cargo de maior envergadura, a situação repete-se, demonstrando assim os obstáculos e a falta de estrutura em diversas localidades para acolher nossos irmãos com deficiência. Confesso que a notícia veiculada neste impresso me chamou atenção, pois a inclusão social sempre foi causa da Igreja Católica, preocupada em olhar para os menos favorecidos. Tanto que em 2006, na tão conceituada Campanha da Fraternidade, o enfoque foi as pessoas com deficiência. Baseado em Mc 3,3: ?Levanta-te, vem para o meio?, o lema se referia ao trecho do Evangelho que mostrava uma frase dita por Jesus a um homem com mão atrofiada. O próprio Deus olhava a situação e, em sua profunda acolhida, restituiu a dignidade daquele homem; convocando-o para o meio, fez com que os olhares se voltassem para o mesmo. 2006 se tornou um ano para inúmeras reflexões e profundos debates neste campo. Lembro-me que a própria Igreja reviu muitas de suas estruturas, e diversos templos tiveram modificações efetuadas, permitindo assim uma acessibilidade real. No Brasil, a situação concreta das pessoas com deficiência é ainda um universo desconhecido. Muitas pessoas, infelizmente, só se atêm a esta problemática a partir de sua exposição midiática, porém poucas se sensibilizam com a causa. O texto base daquela Campanha da Fraternidade falava em hora de profetismo. Sim, a Igreja sempre foi profética ao denunciar situações de desigualdades e em sua posição de mãe, demonstra verdadeira preocupação com todos os filhos. Por vezes, a Igreja coloca em pauta questões que precisam de reflexão e posicionamentos concretos. O caso dos moradores de rua ratifica isso. Fazemos nossa parte. Contudo, muitas ações dependem de um complexo maior, pois são vários os setores envolvidos em qualquer problemática; é perceptível ver a situação das pessoas com deficiência como prova disto. (*) É seminarista e jornalista.