Opinião
Dia de festa no mar
No calendário das religiosidades praticadas em Alagoas, o dia 8 de dezembro tem uma singularidade, talvez única em relação ao resto do Brasil. É nesta data que ocorre a única manifestação pública, e em alto nível de exposição, dos chamados ?Cultos Afrobrasileiros?. Em Alagoas, em nenhuma outra ocasião manifestam-se de forma tão desabrida e integrada com a comunidade os cultos de raízes africanas. Talvez essa marca de discrição, quase clandestinidade, seja uma recordação indelével das grandes violências cometidas no período de repressão religiosa contra os ?xangôs? desencadeado a partir da queda da oligarquia Malta, nos idos de 1912. Tradicionalmente de origem bantu, as raízes afroalagoanas, ainda mantém firme a identificação de seus diversos ritos afrobrasileiros com a denominação genérica de ?xangôs?, embora o maioria no restante do vocabulário seja corrente o uso do linguajar iorubá, que findou sendo uma espécie de referência nacional a partir do peso da vertente afrobaiana. Mas, ao contrário da Bahia, Alagoas não comemora a entidade da água salgada no dia 2 de fevereiro. Unificando as várias ?igrejas? afrobrasileiras cultuadas em nosso Estado, o dia maior das celebrações religiosas de raiz africana é hoje, 8 de dezembro. Quer seja como respeito à liberdade religiosa, quer seja como tributo a um segmento discriminado (e muito perseguido no passado) ainda hoje, quer seja como valorização cultural de uma significativa manifestação de massa, o afroalagoanidade do dia 8 de dezembro deve ser muito mais valorizada pelos alagoanos. Particularidades como essa são o que determinam a personalidade, a individualidade, de uma comunidade. São distinções produzidas por fatores históricos, culturais e religiosos de grande importância e que funcionam como se fossem uma impressão digital, ou o DNA de uma sociedade.