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O encontro de Potsdam

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Potsdam é cercada por florestas, lagos, montanhas, castelos. Visitei a capital do Estado de Brandenburgo, Alemanha, a 50 km de Berlim, onde se reuniram, num encontro histórico, Henry Truman, presidente dos Estados Unidos, Winston Churchill, primeiro Ministro da Inglaterra e Joseph Stalin, líder da União Soviética, com o propósito de dividir e administrar a Alemanha no final da Segunda Guerra Mundial. A famosíssima conferência, acompanhada pelo mundo, se deu no Castelo de Cecilienhof, hoje charmoso hotel de campo e museu aberto aos visitantes. Fiquei surpreso com o grande número de turistas relembrando fatos históricos. Personagens incrivelmente fascinantes e monstruosos haviam desfilado em seus imensos salões. O ?Buldog? inglês Sir Winston Churchill que em seu discurso ao Parlamento, durante a guerra, quando Londres era alvo das mortíferas bombas V2 e dos ataques da aviação alemã, afirmou britanicamente: ?Neste momento crucial para a nação tenho a oferecer ao meu povo ?sangue, suor e lagrimas?? Hitler, o ditador nazista, em seus últimos dias, encurralado no bunker sob a Chancelaria, em Berlin, esculachava seus generais chamando-os de incompetentes, confessando-se arrependido por não ter feito igual a Stalin que mandou fuzilar mais de três mil oficiais do Exército russo. Admirado por Hitler, que mergulhara a Europa e o mundo na guerra, Stalin saiu de Moscou via Letônia, Lituânia e Polônia, chegando atrasado de trem a conferência de Potsdam, porque se borrava de medo de viajar de avião. Por sua vez, o simplório Truman, nos salões de Cecilienof ameaçava veladamente Stalin com a descoberta da bomba atômica que tempos depois arrasou Hiroshima e Nagasaki no Japão, ceifando a vida de milhares de pessoas, numa vendeta ao traiçoeiro ataque japonês à base americana de Pearl Harbor no Hawaí. De Potsdam de trem, de volta à Berlim, ao descer na estação central de Haupt Banhoff, em meio ao tráfego intenso de mais de mil trens diários chegando e saindo para toda a Europa, mergulhei no meio da multidão de passageiros recordando que ao final do Encontro de Potsdam o mundo ingressaria em outra crise, a Guerra Fria, entre as superpotências ? Estados Unidos e União Soviética ? revelando mais uma vez a eterna ambição do ser humano por poder e dominação. (*) É ex-deputado e ex-governador do Estado de Roraima.

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