Opinião
Nova era
A iniciativa de um portal pôs as relações internacionais em situação delicada. Com a divulgação de mais de 250 mil telegramas, o mundo vai tomando conhecimento de coisas até então mantidas em segredo pelas diplomacias das nações. Os telegramas revelam opiniões de embaixadores norte-americanos sobre os países nos quais trabalham. O Brasil aparece em mais de 9 mil telegramas. No que que já foi publicado, algumas autoridades brasileiras ficaram em situação um tanto constrangedora. Enquanto para o público presidentes e diplomatas dizem uma coisa sobre negociações globais, em particular o nível é bem diferente. Ficamos sabendo, por exemplo, que um ministro brasileiro acha que um colega odeia os Estados Unidos; sabemos também que um diplomata americano descreve temores do Brasil com possíveis atentados terroristas. E por aí vai. A coisa é tão séria que o responsável pelo portal acabou preso, fisgado por algo que nada tem a ver com a publicação dos telegramas. Julian Assange, esse verdadeiro homem-bomba dos tempos pós-modernos, foi acusado de crimes sexuais, embora os fatos sejam bastante obscuros. Todos os dias a imprensa mundial publica novo capítulo dos documentos até então secretos. Não se sabe o que ainda pode surgir, mas as maiores potências mundiais continuam tensas. A polêmica apresenta, em novos termos, a discussão sobre liberdade de expressão. Força o debate sobre o direito de se expressar e de informar ? mas conjugado com a preocupação que deve existir, claro, quanto à segurança dos povos. O caso está em aberto. Não resta dúvida que ele impõe uma nova realidade ao mundo. Cabe aos chefes de estado e à sociedade uma reação ? legal e democrática.