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“Quando chegou a plenitude do tempo...”

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Gostaria de compartilhar algumas meditações para o Santo Natal partindo desta frase de São Paulo aos Gálatas (cf. 4,4): ?Quando chegou a plenitude do tempo, enviou Deus o seu Filho, nascido de uma mulher...? É este o mistério que celebraremos na sagrada liturgia durante o tempo do Natal. Com a vinda do Senhor Jesus, chegou a plenitude do tempo, o tempo nosso tão pobre, tão fugaz, feito de sorriso e lágrima, vitória e fracasso, morte e vida, foi visitado pela eternidade de Deus; Deus entrou nos nossos dias para enchê-los com a sua eternidade! São Mateus (cf. 1,1-17), no início do seu Evangelho, apresenta-nos a genealogia de Jesus e, através dela, canta a salvação vinda na plenitude do tempo. Daí, tantas lições podemos tirar sobre o sentido e a graça da encarnação: o texto começa afirmando que o Senhor é filho de Davi, filho de Abraão. Ele é verdadeiro homem, vindo do limo da terra, da raça dos filhos de Adão. Por outro lado, é o cumprimento das promessas feitas a nosso Pai Abraão (?por tua descendência todos os povos da terra serão abençoados?) e a Davi (?nunca faltará um descendente teu no teu trono?). Na genealogia aparecem santos como o rei Josias e ímpios como Manassés. Jesus não vem de uma raça pura, mas de uma humanidade marcada por grandezas e baixezas. É na trama da nossa vida que Deus vai tecendo o seu desígnio de amor e salvação. Na genealogia aparecem cinco mulheres, todas elas em situação peculiar e irregular: Tamar (teve um filho do sogro, Judá), Raab (prostituta cananéia), Rute (pagã moabita), a mulher de Urias (com quem Davi adulterou, mãe de Salomão) e, finalmente, Maria (antes de casar e ainda virgem, concebeu). Diante do Senhor Deus tudo tem sentido, tudo vai se encaixando e até nossas debilidades servem ao seu plano de amor! E Deus tecendo e conduzindo tudo à plenitude do Cristo. Outro dado importante: se Jesus vem da nossa raça, dessa velha e sofrida humanidade, por outro lado, ele é um novo começo, vem de Deus e não do homem. ?Matã gerou Jacó. Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado o Cristo?. O normal seria: Matã gerou Jacó. Jacó gerou José, José gerou Jesus... Mas, não! Aqui se tem uma quebra, aqui Deus intervém: algo novo e inusitado vai começar! ?Assim, as gerações desde Abraão até Davi são catorze; de Davi até o exílio na Babilônia catorze; e do exílio na Babilônia até Cristo, catorze?. Jesus é o fruto maduro de um caminho: 3 vezes 2x7: 3 e 7 indicam perfeição. Jesus é fruto de uma linhagem de três vezes quatorze: na plenitude do tempo Deus visitou a nossa terra e nos trouxe a Salvação! Eis: quando chegou a plenitude do tempo, chegou a plenitude da graça vitoriosa de Deus no menino chamado Jesus! Nele Deus realmente nos visitou, fez-se um de nós, um conosco, de modo que o homem nunca mais poderá ter dúvidas da proximidade e do amor benigno do nosso Deus. Esta é a grande graça do Natal: Deus que assume o que é nosso, com toda a nossa pobreza, para nos dar o que é dele, com toda a sua riqueza. Depois de tudo que a humanidade é, na manjedoura aparece que Deus não se cansa de nos amar, de crer em nós e por nós esperar... Uma última observação: nessa plenitude de graça salvífica, aparece também a figura de uma mulher, da Mulher (cf. Gn 3,15; Jo 2,4; 19,25; Ap 12,1). Seu ?sim? inspira também o nosso ?sim?. Seu acolhimento à graça de Deus recorda-nos que a salvação vem de Deus como um dom, mas passa por nós, por nosso ?sim?, por nossa colaboração. Que interceda por nós a Virgem-Mulher que, sem ser o centro da nossa fé, está sempre próxima ao centro, discreta, fiel, atenta, adorante, com sua vocação materna. (*) É bispo auxiliar de Aracaju-SE.

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