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Opinião

Omiss�o vergonhosa e cruel

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Há dias assisti, como habitualmente, ao Jornal Nacional. Violência e corrupção alteram-se cotidianamente no pódio da mídia brasileira. Nenhuma ocorrência contemporânea deixou-me tão chocada: nosso Brasil se omitiu de votar na ONU pela suspensão do apedrejamento insano e cruel praticados às indefesas mulheres iranianas. Indignação e decepção alternaram-se em minha mente. Celso Amorim, chanceler há oito anos no governo do presidente Lula, colocou o Brasil ao lado de países como Cuba, Sudão, Síria e Líbia. Neles imperam ditaduras vis e ferozes e os direitos humanos são violados. Os regimes aiatolás neles praticados são sádicos e opressores. Enjaulam os adversários políticos, massacram os direitos das mulheres e adotam a pena de morte das maneiras mais humilhantes. As nações civilizadas obviamente votaram contra tal barbárie. Um país cuja população majoritária é feminina e acaba de eleger sua primeira representante mulher, não poderia cometer ato tão pusilânime na política externa. Desaprendemos os valores morais, sociais, humanitários e religiosos. Viajava no dia seguinte aos Estados Unidos. Durante o voo, várias vezes, o fato vinha-me à mente: revoltavam-me a vulnerabilidade, irresponsabilidade e indiferença de nossos representantes. Passei a refletir: De que país estamos falando? Seria a ?Pátria amada idolatrada?? Seria o Brasil que se intitula democrático, humanitário e católico? Não consigo reconhecê-lo! Somos verde e amarelo nos símbolos que nos representam. Vermelho e preto no luto e sangue derramado de filhos indefesos. Vermelho pelas faces rubras envergonhadas ?Dos filhos desse solo? que ?És mãe gentil?... Fiquei igualmente estarrecida no final de 2008: no Tratado de Oslo, o Brasil votou contra a proibição da utilização de bombas de fragmentação. Tal proibição visava diminuir, nas guerras, o sofrimento de civis e militares. Esse instrumento é um artefato explosivo que acionado libera inúmeros projéteis. Estes fragmentos são lançados em todas as direções, provocando ferimentos graves ou mortais em extensa área. Seu efeito sobre uma tropa é devastador! O mais revoltante é saber que o Brasil é produtor desta brutal arma e a exporta ao Iraque! Fatos como esses nos deixam tristes e pesarosos, sobretudo às vésperas do Natal onde o amor e a solidariedade são tão evidenciados. Meu repúdio a atos tão vergonhosos e cruéis! (*) É médica.

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