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Opinião

Sem reinventar a roda

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A segurança pública fecha mais um ciclo administrativo com algumas conquistas importantes para o enfrentamento dos fenômenos que caracterizam a violência em Alagoas. Os discursos do secretário Paulo Rubim apontam a criação do DEIC na Polícia Civil e das Centrais de Polícia em Arapiraca e Maceió, como importantes realizações de sua administração, acrescentando sempre que não se trata de nenhuma reinvenção da roda e sim a reprodução de experiências exitosas em outros Estados e países. O DEIC concentra as investigações do que se costumou chamar de crime organizado, nas centrais são concentradas as confecções dos autos de prisão em flagrante delito. Dentro desse princípio e ajustando para a realidade de Alagoas muitas outras dessas experiências poderiam ser aplicadas. Minas Gerais implantou as unidades integradas de segurança, onde estão instaladas as polícias civil e militar, com cobranças de cumprimento de metas dos gestores, evitando que uma corporação jogue a culpa na outra por não alcançar os resultados pactuados. Em Alagoas, significa a estruturação de uma única unidade policial nos pequenos municípios, somando meios humanos e materiais, contrapondo-se ao atual modelo de pulverização de miséria, onde as duas unidades encastelam suas deficiências em prédios separados por poucos metros. São Paulo tornou obrigatório o levantamento de local de crime por policiais que ali chegarem primeiro, coletando indícios e provas que possam elucidá-lo, principalmente no que se refere a homicídio, procedimento denominado de recognição visuográfica. A novidade tática, associada a outros instrumentos de gestão determinaram significativa redução nos índices de homicídios na terra dos bandeirantes. Pernambuco criou em 2007 o programa Pacto Pela Vida, precedido de levantamentos sobre as origens das mais diversas formas de violência, identificando grupos de pessoas e áreas de risco, análise dos fenômenos estatísticos, tendências de redução e crescimento, proporção dos efetivos policiais em relação ao número de habitantes, tudo realizado com a participação de equipe multidisciplinar e da comunidade. Com isso fora possível conceber instrumentos de gestão, estabelecimentos de metas e índices a serem alcançados. Três anos depois os índices de homicídios despencam fazendo com que Recife perdesse para Maceió o título de capital mais violenta do País. Outro bom exemplo vem do município de Canoas/RS, que conseguira índices de violência que contrastavam com o ritmo de desenvolvimento que o transformara na quarta maior economia da Região Sul. Lá, o prefeito, contrariando diretrizes consideradas ideológicas e ineficientes pregadas por seu partido, o PT, resolveu copiar as coisas boas da segurança de Nova York, Bogotá e Medellin, investindo no choque de ordem e modernas tecnologias no enfrentamento ao crime. Para Alagoas descer do pódio da violência, bem que poderia copiar e adaptar essas experiências de sucesso nos campos tático e estratégico no combate ao crime, sem a necessidade de reinventar a roda. (*) É delegado de Polícia Civil.

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