Opinião
De olho no esgoto
Quando algum nome célebre é acusado de algo, a polêmica se estabelece. Preconceitos e prevenções à parte, toda a sociedade se questiona, posto ser a celebridade (instituições e/ou pessoas) uma espécie de reflexo do coletivo. Este é o caso da interdição de um dos mais conceituados restaurantes de Maceió. Acusado de ligar o esgoto à rede de águas pluviais e, desta forma, poluir diretamente a praia à sua frente, o interditado estabelecimento ficou em situação assaz delicada, mas nada impede que o problema seja sanado rapidamente, pois a área onde a casa está situada é servida de rede de esgotamento sanitário. A questão, patente nos comentários enviados por e-mail para a gazetaweb.com, é a necessidade de tal rigor na fiscalização deste tipo de irregularidade ser mais frequente e extensiva a todos imóveis nessas áreas onde são constantes as evidências dessa falcatrua. Certamente, outros tantos imóveis, bem situados nas privilegiadas áreas da Pajuçara, Ponta Verde e Jatiúca, cometem essa mesma barbaridade. Denúncias não faltam, evidências ululantes (como os famosos córregos de água podre a escorrerem para o mar) sempre estão à vista. Um bom começo seria checar as contas de água e esgoto nos perímetros urbanos saneados. Basta conferir os imóveis que estão pagando pouco pelo duplo serviço, ou mesmo se tem algum imóvel de porte que não pague esgotamento sanitário; nesses casos, há 99% de chance de alguma armação, daí é só conferir. O que não contribui é ?pegar um para Cristo?, como vaticina a filosofia popular. O que vale para Chico vigora também para Francisco. Nossas praias, lagoas e rios devem ficar livres da poluição. E maior fonte poluente urbana em Alagoas é o esgoto doméstico, daí não se pode conciliar com o desplante da ligação das privadas na rede de águas pluviais. Quem pratica esse crime deve ser punido, sem distinções e/ou perseguições.