Opinião
Nosso ciclo natalino
Mais um Natal marca a cristandade. Ao longo de dois milênios, esta celebração tornou-se uma referência universal, extrapolando os próprios limites religiosos e cristalizando-se como o epicentro de um período de confraternização universal, incluindo também a passagem de ano. Os aspectos culturais do período natalino, amplos e miscigenados com atividades não-religiosas têm, há muito tempo, levado padres e pastores a insistirem na preservação das características cristãs. E, de fato, aspectos comerciais e pagãos teimam em ocupar espaços nesse período. Em Maceió tem sido notável o aumento, há anos, das manifestações culturais típicas das tradições cristãs, como a montagem de lapinhas (também chamadas de presépios), missas e cultos religiosos natalinos. Por outro lado, infelizmente, não tem sido registrado uma recuperação digna de nota numa das características alagoanas: as festas populares do chamado ciclo natalino. Em todo Nordeste brasileiro o ciclo natalino é forte traço nas manifestações populares. Em Alagoas, particularmente, esse período de festividades fez história, especialmente nas participativas disputas dos pastoris sem falar nas cheganças, reisados, guerreiros e outras manifestações populares cujas origens perdem-se nas brumas do tempo. Todos esses folguedos são explicitamente cristãos. Em tempos onde a cultura popular também é uma forma de geração de emprego e renda, mormente associada à intensificação do fluxo turístico, é lamentável a timidez comprovada na revitalização do vigor, da beleza e da massificação das festas do Ciclo Natalino (sintomaticamente encerrado no Dia de Reis, 6 de janeiro, ancestral data onde se comemorava a Natividade). Nos Natais vindouros, com a graça de Deus, espera-se uma maior retomada dessas tradições.