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A Arca de No� e o estaleiro de Coruripe

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Noé deve ter sido o único proprietário e construtor de embarcações que não teve de se submeter a um ?Ibama? da vida para atender a uma ordem de Deus, pois seu estaleiro não necessitava de docas à beira-mar e ocupação de áreas de mangues em virtude do grande dilúvio que encobriria toda crosta terrestre. Eis a solução para o nosso estaleiro! Vamos implantá-lo na área do Polo Químico ou então nos tabuleiros costeiros de Coruripe e contratar Noé como assessor especial. Na medida da finalização de cada embarcação, telefona-se para o nosso experiente assessor, solicita-se um dilúvio e se remove o navio para o oceano. Será então uma operação recorrente ao longo da vida útil do estaleiro. Toda ação antropogênica implica, em maior ou menor escala, em impacto na natureza. O conceito de sustentabilidade envolve a economicidade do projeto, o mínimo impacto ecológico e o máximo efeito positivo para a sociedade (emprego, renda, etc.). O estaleiro em Coruripe representa, sem sombra de dúvida, o projeto mais importante do governo Téo Vilela e seus efeitos positivos já foram amplamente divulgados pelo Secretário de Desenvolvimento Luiz Otávio. Por que o Ibama tem agido contra aos interesses de Alagoas? Vários Estados nordestinos tiveram seus projetos de estaleiros aprovados, inclusive na Bahia que bateu o recorde de 20 dias para sua aprovação. Todos esses projetos situam-se a beira-mar e em áreas que foram manguezais. Portos e estaleiros, necessariamente, têm que se situar no litoral. A alegação da destruição de mangues denota o desconhecimento da verdade sobre os manguezais do Nordeste. O biólogo, pesquisador e professor Luiz Drude de Lacerda da Universidade Federal do Ceará afirma que a área dos manguezais nordestinos cresceu cerca de 40% nos últimos 26 anos. Aliado a esse fato, o governo de Alagoas assumiu o compromisso de replantar essa vegetação numa área equivalente a 05 vezes a área utilizada. Por outro lado, seu crescimento é preocupante em virtude do aumente de salinização do lençol freático e aqüíferos e ainda pelo fato dessas áreas serem responsáveis pelo aumento na concentração de metais pesados, notadamente o mercúrio. Com relação a sua importância na diversidade e produção de pescado no Nordeste Oriental, com exceção da restrita pesca artesanal de caranguejos, crustáceos, moluscos e rarefeitos peixes nas regiões estuarinas, é baixíssima a contribuição desses manguezais. O mar nordestino é pouco piscoso em decorrência da escassez de nutrientes que tem como fonte natural as correntes oceânicas frias e mais profundas (o que não acontece nessa região) que fazem emergir os planctos e outros alimentos essenciais à população pesqueira. Vamos Ibama, temos mangues demais, deixe de ser ranzinza! (*) É professor da Ufal.

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