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Anjos de carne e osso

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O real espírito natalino, apesar das constantes agressões do ?noel? consumista, ainda perdura. É tempo de olhar em volta, enxergar o outro, estender a mão. Pena que não permaneça de um a outro dezembro. Hoje, como dizia Drummond, no meu caminho há uma pedra... Uma pedra pesada como a ausência, cinzenta como a saudade. Antes do 24/25, há o dia 23. Há dois anos, a partida daquele homem, então sofrido e machucado pela doença, mas sempre digno e honrado, marcou a todos os que o acompanhavam. Deixou órfãos sua família e seus amigos (tinha-os de todas as idades) e aqueles a que beneficiara durante sua longa vida. Lendo Veja desta semana, num trabalho interessante abordando anjos, Laura Ming e Sandra Brasil discorreram sobre ?Anjos de Carne e Osso?, aqueles que, durante o ano todo, dedicam-se aos necessitados. Entre estes, citam Marcos Magalhães, executivo pernambucano, presidente da Philips na América Latina, que, em visita a Recife, constatou o abandono do Ginásio Pernambucano, escola onde estudara. Reuniu um grupo de empresários e restaurou a escola, criando o Instituto de Co-Responsabilidade pela Educação. Sua finalidade, administrar as escolas públicas como empresa privadas. Em resumo, já são 247 escolas, com 15.000 alunos, nos estados de Pernambuco, Ceará, Piauí e Sergipe. Mas, por qual razão estou falando disso? Porque já conhecia bem o tema. Muita vezes, ouvi meu pai falar sobre a importância e a real possibilidade de tal providência. Sua ideia era começar pelo CEAGB, instituição subaproveitada que, com uma gestão mista, governo/iniciativa privada, traria melhorias em todas as áreas. Professores bem remunerados, sempre reciclados, alunos acompanhados em horário integral, escolas em perfeito estado, esporte, atendimento médico, odontológico, cursos profissionalizantes (destinação inicial do CEAGB). E como realizaria este milagre? Num sistema de co-gestão público-privada, onde os alunos carentes assim continuariam e novas vagas seriam preenchidas com alunos que pagariam uma mensalidade quase simbólica, cerca de um terço do valor das chamadas escolas particulares. Que pai de classe média deixaria de colocar o filho em uma unidade de ensino completa, em horário integral, pagando menos da metade que pagava? Além disso, a gestão empresarial seria fundamental para fazer com que tudo funcionasse a contento. Homem com visão de futuro, sempre pensando no aperfeiçoamento da educação pública, Ib Gatto tentou, em vão, por várias ocasiões e junto a diversos governantes, apoio para desenvolver a idéia. ?Já temos tudo?, falava. E quando lia ou ouvia as notícias sobre as imensas filas nas portas das escolas, a cada início do ano letivo, o descaso com alunos, professores, greves, desesperava-se. Hoje, apesar da enorme falta que ele faz a todos nós, com alegria, constatamos que suas idéias vicejam em outros brasileiros que buscam, também, o bem comum, o crescimento de um povo mais feliz, porque educado e consciente de seus deveres e direitos. Pena que, mais uma vez, Alagoas fique de fora dessa iniciativa.. (*) É bacharel em Letras.

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