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Opinião

Organizados contra o crime

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No final dos anos 90, o Estado de Alagoas resolveu importar perigosos criminosos em troca de investimentos na segurança pública, principalmente na infra-estrutura do sistema penitenciário. Acreditava-se que o presídio Baldomero Cavalcante representava abrigo seguro aos perigosos produtos importados ? sequestradores, assaltantes, quadrilheiros, traficantes e mais uns contrapesos ? ladrões de cargas e veículos, estupradores etc. O resultado imediato da desastrada importação fora a explosão de ocorrências de sequestros no Estado, resultado da formação de quadros em escola especializada num dos módulos do Baldomero, onde estavam instalados os rigorosos mestres da família Oliveira, conhecidos nacionalmente depois de sequestrarem um dos irmãos da dupla sertaneja Zezé Di Camargo & Luciano. Um deles, logo descobriu que o presídio tinha uma saída de emergência para presos, por lá saíra e nunca mais voltara. O Estado não estava preparado para a nova demanda, a Polícia Civil tinha apenas um Delegado especializado e sem muitos casos para melhor formatar a sua especialidade. Os recursos tecnológicos disponíveis não mereciam essa denominação, restando apenas o esforço de reduzida equipe de dedicados policiais que foram aprendendo com as ocorrências. Os resgates eram pagos, os reféns liberados com vida, mas poucos seqüestradores eram presos e assim o ciclo bandido se fortalecia para novos seqüestros. Os assaltos a bancos se multiplicavam e daí então surgiu a ideia para a criação de núcleos de Delegados, Juízes e Promotores para o combate ao crime organizado. Poucos acreditaram na ideia, apostando que a disputa de vaidade logo implodiria os grupos. Os Delegados saíram na frente criando o seu grupo, mas foi o primeiro a ser implodido, talvez até pela formação do DEIC (Diretoria de Investigações e Capturas) que reúne profissionais especializados no combate ao crime organizado. Os Juízes criaram o seu núcleo e, depois de muitos embates sobre a sua legalidade, fora transformado na 17ª Vara Criminal. Os Promotores criaram o Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado. Depois disso, Juízes e Promotores passaram a dar mais suporte às operações policiais, autorizando diligências cujos mandados não suportariam o rigor do trâmite normal em expedientes semanais de mesa em mesa. Eles estiveram sempre disponíveis nas horas mais difíceis. O resultado foi a multiplicação de arrojadas operações policiais que determinaram o fim dos sequestros e a significativa redução nos crimes considerados organizados. (*) É delegado de Polícia Civil.

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