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Opinião

O tempo, Deus e o homem

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O ano está se encerrando. Nesse período, reflexões sobre o tempo são inevitáveis. Fala-se do tempo a partir de várias perspectivas. Aqui, no entanto, é nosso interesse refletir sobre as diversas atitudes diante do tempo. Os dias que passamos neste mundo podem ser vistos como um inimigo que rouba nossa vitalidade, aproximando-nos da morte. Quem assim concebe o tempo, termina por se apegar desesperadamente a ele, tão preocupado em viver como se não houvesse amanhã. Mesmo sem perceber, quem assim vive, experimenta uma vida com muito pouco prazer. Outro modo de experimentar o tempo é a atitude daqueles que exageradamente vêem tão-somente coisas positivas no caminho desse mundo. Esses geralmente correm o risco de parecerem tolos, bobos alienados, cujo tempo não lhes permite imprimir nenhuma marca mais profunda. Há um terceiro modo, e esse cristão de viver o tempo. Este foi criado por Deus juntamente com tudo o que existe. E é no tempo que Deus veio ao encontro da humanidade. Um dia Deus rasgou o seu silêncio e dirigiu sua Palavra para que os homens descobrissem qual o sentido, a lógica pela qual tudo feito e qual a finalidade de tudo. O tempo se tornou o lugar de encontro entre o homem e a Palavra de Deus. E quando se completou o tempo previsto por Deus, essa lógica se fez carne, veio habitar entre os homens. Jesus nasceu no tempo, e, assim, o tempo se tornou lugar da divinização do homem. Encontrando Jesus no tempo, a humanidade descobre qual o caminho para viver na graça de Deus, graça que potencializa as virtudes, revigora as forças, reorienta a existência. O tempo deixa de ser uma cronologia, uma sequência de dias, para se tornar tempo de graça. Hoje, Jesus continua vindo ao encontro da humanidade. Desde seu nascimento há 2010 anos atrás, o tempo é a oportunidade de cada um de nós encontrá-lo. Ele vem sempre ao nosso encontro em cada Eucaristia, nas Palavras Santas encontradas na Bíblia, e também em cada pessoa que cruzamos no caminho da existência. Um final de ano não é momento para práticas supersticiosas que falsamente garantam um futuro melhor. É tempo de refletir como aproveitamos o tempo, se não deixamos a graça de Deus passar em vão. E após refletirmos, é tempo de se abrir ao novo que sempre vem, afinal, Deus é aquele que alegra a nossa juventude através do tempo. Feliz 2011 para todos! (*) É seminarista e psicólogo.

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