Opinião
Os visitantes do mar
Imponentes transatlânticos fundeados na enseada de Jaraguá já fazem parte do cotidiano do verão maceioense. Infelizmente, pouca coisa tem sido feita para recepcionar adequadamente os turistas que nos chegam pelo mar. Ao contrário dos que aterrissam, quem atraca no Porto de Maceió não encontra nenhuma infraestrutura confortável para o recepcionar. Como bem registrou nossa reportagem na edição dominical, se não fossem as ações da iniciativa privada, os turistas desembarcados em nosso sistema portuário teriam tratamento idêntico aos fardos de mercadoria: descarregados sob o sol e entregues a própria sorte. Empresas de turismo, preocupadas com essa realidade adversa, têm tomado suas próprias medidas, buscando mitigar a desatenção pública para os navegantes. Montam barracas, distribuem água de coco, dão indicações para visitação da cidade e outras gentilezas indispensáveis. Mas, apesar desta boa vontade, o porto de Maceió segue ignorando o turista, desdenhando das embarcações que nos chegam. Terminal de passageiros? Não há verbas! Mas será que, pelo menos, temos projetos apropriados para lutar por esses recursos? Marina para acolher as embarcações menores que navios? Nem pensar... Mas os turistas náuticos continuam aportando em Maceió. As empresas responsáveis pelos cruzeiros na costa nordestina não discriminam Alagoas e incluem o Porto de Jaraguá, mesmo despreparado para o turismo, no roteiro de escalas. E ?la nave va?, como diria Fellini. Os portentosos transatlânticos singram a enseada de Jaraguá. No movimento noturno dos navios vê-se, nos conveses, nas janelas das cabines, o cintilar de incontáveis flashs, atestando a força da atração da cidade de Maceió sobre os turistas. Precisamos retribuir toda essa atenção.