Opinião
Lisboa e o Pai Natal o Pai da Crise
Para nós, brasileiros, o apelido do ?bom velhinho? parece jocoso. Mais jocoso ainda é a pouca importância que lhe é dada por aqui. Afinal há quem o chame de ?Pai da Crise?. O que talvez justifique tê-lo encontrado caído no chão, na porta de algumas lojas. O boneco geralmente inflável não parecia ter importância para quem entrava ou saía. Apesar da proximidade da juventude lisboeta com o gosto americano, de vestir e ouvir música, não foi comum os miúdos irem sentar no colo do Pai Natal nos Shoppings para fotografia. Foi o que me afirmaram, pelo menos este ano. O que explica a frieza com o velhinho. Depois, parece que ninguém nunca se entendeu quanto a sua imagem como o Papai Noel Moderno ? made in USA ou como o velho ?Santa Claus? ou Saint Nicholas, mais europeu. Mas, falando em crise, ela pode ser visível, mesmo ao visitante. Esta semana estive na Avenida Roma para comprar um material de pintura e observei a quantidade de lojas fechadas numa galeria. O lugar já fora um comércio promissor. E, como não é um bairro turístico percebe-se a grande quantidade de pessoas idosas que entram e saem como se fugissem de casa para não se entrevarem com o frio. Entramos num café e percebemos que não havia uma pessoa jovem a não ser a minha filha e a minha neta. E lá estavam, sentados, tomando uma bica(cafezinho) ou comendo um pastel de bacalhau(bolinho). Conversavam, possivelmente, por horas! E parece ser esta a forma de passar o tempo e o frio. Mas algo que me preocupou foi a relação com o imigrante. A começar pelos chineses que possuem um acordo de isenção de impostos por dez anos. Vendem muito! Suas lojas estão sempre cheias e agora, principalmente de portugueses. Não obstante dizerem que tomam seus empregos. Mas não é diferente com os indianos. Pior ainda com os ciganos. No entanto é o número de africanos que nas estatísticas surpreende: é quase igual ao de brasileiros residentes. Resultado: um sectarismo nítido entre o nativo e as demais raças. Mas no caso do negro é muito mais aparente pela quantidade. Há bairros onde os vagões do metro (metrô) deve ter apenas 10% de brancos. E eles não estão preocupados com a troca de gentilezas. Para nós, brasileiros, é bem melhor pedir uma informação a um africano do que a um português. São pessoas extremamente gentis (sobretudo os adultos) que, no entanto, vivem nitidamente separadas. Os mais jovens são mais arredios ainda. A diversidade étnica, no cenário da crise europeia,pode ser mais complexa do que imaginamos. (*) É escritor.