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Nos últimos dois dias a mídia nacional destacou, merecidamente, duas viagens do presidente Lula. Ambas tiveram o Nordeste como destino e o primeiro mandatário do País, em seus derradeiros dias de poder, visitou os Estados do Ceará e de Pernambuco. Em ambos, o presidente Lula visitou instalações portuárias: a pernambucana Suape e a cearense Pecém. Dois modernos e amplos portos, estrategicamente locados e vinculados a plantas industriais de grande porte. Observando-se esses dois eventos com mais atenção e mirando o Porto de Jaraguá, percebemos como estamos a ver navios. Apesar de ser conhecido dos navegantes desde o século 17, e frequentar cartas náuticas desde o século 18, Jaraguá só deixou sua condição de ?porto natural? e alçou-se a porto do tipo doca moderna nos anos 40 do século recém-findo. Inaugurado com estilo na presença do então presidente Vargas, o Porto de Jaraguá, mesmo tardio, jogou um grande papel, e nos anos 70 foi se especializando em seu terminal açucareiro. No mais, porém, poucos avanços. Calado reduzido para as necessidades da navegação contemporânea, incrustado no centro urbano da Capital, Jaraguá chegou a perder sua malha ferroviária (talvez seja as únicas instalações portuárias no mundo dissociadas da estrada de ferro). Desde há muito o conceito portuário está ligado ao de complexo industrial, adequadamente afastado das áreas urbanas mais densas e dotado de fartas possibilidades de ampliação. Essa conceituação ainda não atracou em Alagoas, infelizmente. Pecém e Suape são exemplos difíceis de serem copiados mecanicamente em Estados menores, mas têm de ser entendidos e replicados enquanto conceito e, sem embargo, grandeza proporcional. Alagoas precisa disso. O Estaleiro Eisa, se não for sonegado a nosso Estado, pode ser um bom começo para essa conceituação, que, reconheçamos, nem é tão nova assim, apesar de nos ser revolucionária.

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