Opinião
Virada do ano
O termo ?virada?, ato e efeito de virar, tem um amplo domínio semântico, sendo às vezes tema de diversões carnavalescas: ?olha a virada?. Daí por diante a expressão ganhou foros de sociologia, querendo assinalar mudanças que oferecem as passagens do século e do milênio. Precursores dessas mudanças exigidas pelo correr dos tempos, inegavelmente, têm sido as mais recentes Encíclicas Papais e, mais longinquamente os argumentos sociais expendidos por Karl Marx e seu companheiro Engel, empresário alemão mais adepto das reformas sociais. Outro sinal de virada do século foi a Revolução Francesa, iniciada pela Tomada da Bastilha e prolongada por 5 (cinco) anos no mais sangrento drama social que se processou na velha e culta França, onde resistiam os últimos bastiões da Idade Média. Luís XIV, com o seu autoritarismo real e Luís XV prepararam o caminho para a profunda transformação da monarquia gaulesa em República Liberal Democrática. Luís XVI que seria a vítima da insensatez de seus antecessores, ainda tentara uma conciliação, reunindo os 3 (três) Poderes, ao expor a grave situação política do antigo regime. De nada valeram as suas palavras, porque afinal explodiu a grande rebelião com o começo trágico da tomada da famosa fortaleza medieval. Tudo isto ocorreu nos fins do século XVIII, já nas proximidades da virada do século antes a chegada do século seguinte. Percorrendo-se as páginas da história universal, desde os tempos do Cesarismo Romano, às conquistas democráticas patrocinadas e finalmente vitoriosas, pelos ideais da Revolução Francesa, chegaram os eminentes pensadores da época em instituir os regimes governamentais à base dos 3 (três) Poderes, uma vez que os legisladores impávidos da época como Danton, Marat, Saint-Just e Camilo Desmoulin chegaram a conclusão de que os tempos daquele tempo já não admitiam o Poder absoluto de um só Rei ou Imperador, em orientação nos destinos dos povos. Por isso, aqueles parlamentares, com a voz tronituante de Danton, do agitador Marat, e do frio e calculista que foi Robespierre, proclamaram que não havia mais razão para um único Poder dirigir as nações, mas, sim, uma tríade composta dos 3 (três) Poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário. Nesta virada do ano, estamos numa transição histórica, com a perspectiva de sinais dos tempos, vez que as autoridades políticas do Universo não acertaram na solução dos problemas que agitam nossa civilização. Que 2011 seja o Ano da Paz. (*) É procurador de Estado, aposentado, e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas.