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Cr�dito de confian�a

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O primeiro dia de 2011 traz para alguns a ressaca dos excessos do réveillon, para outros uma praia superlotada e para os que ficaram em casa e estão mais interessados na cerimônia de transmissão presidencial em Brasília e também aqui nos Martírios, uma certeza: Lula é o presidente mais aprovado da História e dificilmente será superado. Sua despedida foi um frenesi catártico: demonstrou repetidas vezes seu apego ao cargo, sem nunca deixar de enaltecer sua gestão, que entrará para a história pelas políticas de transferência de rendas que tiraram milhões de cidadãos da miséria e fortaleceram substancialmente a classe média.Concomitantemente, ao fechar das cortinas uma farra de aumentos de proventos legislativos e de outros poderes propagou-se pelo País. Mas não foram apenas os mais desfavorecidos os beneficiados; incluam-se aí os servidores públicos federais: tiveram em média 31% de reajustes acima da inflação, enquanto na iniciativa privada a média foi de 13%. Isto fez com que o fosso entre o que ganham os funcionários públicos e os trabalhadores da iniciativa privada aumentasse tremendamente: hoje eles são uma privilegiada elite nacional. Nada contra a valorização dos servidores públicos, mas a latere, o deficit público se eleva, as contas públicas não fecham e a inflação ameaça fugir do controle. Na práxis política não se pode dizer que os necessários avanços ocorreram: além do Mensalão, o desprezo pelas instituições públicas, o controle dos meios de comunicação e a indução das manifestações culturais para ?compromissos sociais? foram uma obsessão perene, mas a resistência da sociedade não permitiu que estes projetos vingassem. Dilma Rousseff assume e terá um crédito de confiança: vou torcer pelo êxito de seu governo, até porque garantiu total liberdade de imprensa e opinião, mas aguardarei que segure a fome de petistas e aliados por cargos e recursos públicos e se lembre dos profissionais liberais;espera-se também que após tantos benefícios os servidores públicos retribuam à sociedade minimamente com serviços equivalentes aos seus proventos. Aqui o segundo mandato de Teotônio Vilela embora traga do primeiro significativos avanços na organização da máquina pública, apresenta desafios seriíssimos, como na saúde, na segurança pública e na criação de empregos. Novos nomes do primeiro escalão são uma incógnita, mas a manutenção de José Wanderley,Ronaldo Santos, Osvaldo Viegas e Luiz Otávio Gomes, entre outros, reforça a necessidade de também se dar estadualmente o mesmo crédito de confiança.Feliz ano novo para todos. (*) É médico e professor da Uncisal.

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