Opinião
Ano nov�ssimo
No segundo dia do novo ano, coincidentemente um domingo, pouco pode se esperar em termos de análises consubstanciadas que prognostiquem 2011. Pós-festa de virada, o momento é de descanso, ainda ressaca para muitos. Mas algumas reflexões são indispensáveis, mesmo neste dia modorrento. Nasce sob um signo distinto este ano novo. Pelo menos para os brasileiros é algo singular raiar o ano tendo como presidente da República uma mulher. Verdade é que, nos idos do império, a Princesa Isabel, provisoriamente, ocupou a chefia do Estado. Mas como a monárquica figura não chefiava o governo, nem era a titular (o velho Pedro, o segundo, era o dono da coroa), Dima Rousseff é a primeira mulher a ser, efetivamente, chefe de governo (e de Estado) no Brasil. Um desafio e tanto, ampliado pelo inquestionável fato de que a primeira mandatária não ter experiência como titular de cargo eletivo (executivo e/ou legislativo), o que deixa no ar receios acerca de sua capacidade de enfrentamento do duríssimo jogo da política em seu píncaro brasileiro: o Congresso Nacional. Por outro lado o Brasil recebe o novo ano com excelentes perspectivas, com a economia fortalecida, amplo prestígio político internacional e vivenciando um virtuoso processo de ascensão social desde as camadas menos favorecidas de sua população. São particularmente favoráveis as condições para o crescimento continuado de todos os fatores positivos registrados nos últimos anos. Se à primeira presidente do Brasil falta outras graduações eleitorais, sobra-lhe, em contrapartida, vivência na máquina pública, destacadamente nos quatro recentes anos, quando foi considerada por todos com acesso ao Palácio do Planalto como a gestora do segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Ou seja, sob o signo feminino, o Brasil desperta para um ano novo em condições mais favoráveis que nos anos passados. Resta não menosprezar os grandes desafios de sempre.