Opinião
Entre dois estaleiros
Vai de vento em popa o estaleiro Atlântico Sul, em Pernambuco. Enquanto isso, segue o mistério em torno do estaleiro Eisa, desejoso de se instalar em Alogoas, mas, por enquanto, duramente torpedeado por dura posição política. Ao contrário do Atlântico Sul, liberado sem maiores problemas, o Eisa sofre pesado bombardeio desde o anúncio de sua intenção de lançar âncoras na Praia de Coruripe, no Litoral Sul alagoano. Para o Ibama, por exemplo, a eliminação de parte do mangue local é um obstáculo praticamente intransponível, mesmo com o compromisso do estaleiro em recuperar manguezais noutras regiões do Estado. Meritória é a preocupação do Ibama para com o mangue alagoano, mas tal bandeira não foi hasteada quando da instalação noutros Estados da federação de estaleiros semelhantes ao Eisa, como o Atlântico Sul, em Pernambuco. Edificado em integração com o complexo portuário de Suape, o estaleiro pernambucano, assim como o próprio porto, eliminou enormes áreas de manguezais, posto portos e estaleiros só terem condições de serem construídos em áreas semelhantes. Mudando a face econômica do nosso vizinho ao Norte, o complexo portuário de Suape e o estaleiro Atlântico Sul são obras de grande porte, que contribuem significativamente para a redução da pobreza naquele Estado. Anteontem o citado estaleiro publicou anúncio visando à contratação de 1,2 mil profissionais. Quem visita o Suape e as obras do estaleiro não pode deixar de se impressionar com a grandeza das obras. E não pode ignorar a integração dos manguezais, que embora cortados por estradas, pontes e viadutos, vão sobrevivendo e ocupando novos perímetros nas proximidades. Enquanto Pernambuco navega em riqueza, Alagoas parece condenada a chafurdar no mangue das economias atravancadas.