Opinião
Tend�ncias na crise
A reunião do G-20 (Seul, 11/2010) espraiou a gritaria opositora aos EUA em manter a supremacia de sua moeda contra o mundo. ?Nova guerra financeira mundial? ? definiu o influente economista Michael Hudson ?, o outro pacotaço dos EUA (U$ 600 bilhões) para aprofundar a desvalorização do dólar, facilitar suas exportações e a especulação contra as moedas (já ultravalorizadas) de vários dos ?emergentes?. Desta feita, até as Filipinas (antiga colônia americana) denunciou o porrete, junto a Brasil, China, Índia, Japão, Alemanha. Aclara-se o estágio do declínio imperialista, num duplo sentido: a) cresce a resistência ao financiamento mundial dos imensos deficits (comercial e fiscal) e o endividamento externo dos EUA, pelo resto do planeta; b) a contestação sublinha que a transição geopolítica à multipolaridade global exige um sistema internacional plurimonetário, não mais o atual. O que nada tem a ver com o tal ?colapso iminente do dólar?, uma bobagem. Como nos EUA, na União Europeia a maioria dos 27 segue em estagnação econômica prolongada, decadência social e resistência popular; submersos em dívidas impagáveis, desemprego elevadíssimo, cortes brutais do financiamento público, aumento de xenofobia, racismo e violência. Segundo a liberal ?The Economist?, os EUA crescerão 1,5% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2011, o mundo 3,7% (80% vindo dos ?emergentes?); a zona do euro 1,5%, prevê a Comissão Europeia. Avançam manifestações eleitorais de fortalecimento da extrema-direita nos EUA (?Tea Party?) e em vários países europeus. Ademais, em meados de 2011, cerca de 2/3 dos Estados americanos estará às portas da falência, e a convulsão fiscal europeia somente agravará a questão social. Em disjuntiva, consolida-se em escala espectral a China (?socialismo de mercado?), que, a) supera em 2011 o líder EUA na manufatura, disse Daniel Franklin, editor da ?The Economist; b) inaugurou o trem-bala mais rápido do mundo (Xangai-Hangzhou), a quase 420 km por hora; c) criou o supercomputador mais rápido do mundo, o Tianhe-1A, ?transformando o país em superpotência da tecnologia?, escreveu Ashley Vance, do ?The New York Times?; d) liderou investimentos mundiais em petróleo, com gastos de 45% do total de fusões e aquisições, em 2009, ou US$ 16 bilhões (Folha de S. Paulo, 2/11/2010). A Índia segue crescendo e se fortalecendo. O Japão volta à deflação; as escaramuças militares na península coreana miram a China. Intensificam-se manobras estratégicas de cooperação e conflito: Índia+China-Índia+EUA. (*) É médico.