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Opinião

Riscos ululantes

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Mais uma vez os números, incontestáveis, reafirmam o dantesco quadro de nossas estradas. Oito mortos e 200 feridos foi o saldo do fim de semana que marcou a virada de 2010 para 2011 em Alagoas. Verdade é que a terrível realidade das estradas é um problema brasileiro e não apenas uma tragédia alagoana, mas nosso caso é de particular gravidade dado a inexistência, ou inapetência, de ações destinadas a enfrentar o problema. Superlotadas por veículos de passageiros, ônibus, vans, motos, caminhões de todos os tamanhos, as rodovias alagoanas, salvo curto trecho de pistas duplicadas entre Maceió e Rio Largo, são de perigosa mão dupla. E mal sinalizadas, com precários (ou inexistentes) acostamentos e conservação precária. Com o aumento do volume do trânsito, agravado muito provavelmente pelo consumo de bebidas alcoólicas, o risco de acidentes é mais que evidente. Um dos poucos projetos de maior fôlego nessa área estratégica, a duplicação da pista asfáltica entre Maceió e Barra de São Miguel está devagar quase parando. Parada de verdade em vários momentos, como quando as obras aproximaram-se de um condomínio de luxo na Ilha de Santa Rita e, simplesmente, os trabalhos foram barrados, impedidos de prosseguir, mesmo em perímetro público e em áreas devidamente desapropriadas, por conta da vontade dos abastados moradores. Este atraso na estrutura rodoviária alagoana vai além de emperrar a economia, e alcança a segurança de quem transita nessas precárias pistas, ceifando vidas. Acidentes, em sua totalidade, são, infelizmente, inevitáveis. Mas o poder público deve investir em reduzir os elementos de risco. Nas rodovias, uma série de atenções e investimentos em segurança do tráfego já são conhecidas da humanidade (há muitas décadas). É hora de transitarem, com desenvoltura, nas vias alagoanas.

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