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Sai secret�rio de defesa, ficam os problemas

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Com todo respeito ao profissional Paulo Rubim, ele é mais um titular que sai da pasta da Secretaria de Defesa Social (Seds) lamentando não ter resolvido tudo que gostaria. Sai reconhecendo, sobretudo, a carência total do IML e do Instituto de Criminalística, problema aparentemente insolúvel em Alagoas. Aparentemente. Mas o secretário pode fazer as malas com tranquilidade. Nem ele, nem ninguém neste País, é capaz de resolver o problema da criminalidade em Alagoas, ou em qualquer outro Estado brasileiro, dentro de uma concepção caolha de segurança pública. É possível, isso sim, lamentar não ter buscado melhor valorização dos policiais, uma tarefa exequível. Os problemas da violência envolvem origens e bases tão profundas que estão muito acima da capacidade pessoal e da autoridade pública de qualquer secretário, comandante da PM ou chefe da Polícia Civil. Temos um problema de ausência de políticas públicas sérias, investimentos sociais e desenvolvimento urbano. Nota-se que, apesar da Polícia Militar afirmar ter aumentado o ?efetivo nas ruas? e da Seds ter se esforçado em melhorar as condições da polícia investigativa, os índices de criminalidade só subiram. Nunca se prendeu e apreendeu tanto em Alagoas. Mas os resultados são desanimadores. Chegamos ao ponto de assistir ao assassínio de quase cem moradores de rua. Onde estava a polícia? Na rua, onde sempre esteve, com muito ou pouco efetivo. Onde estava o Estado? Ausente, como sempre. Qualquer cidadão alagoano sabe do contingente de miseráveis nas esquinas de Maceió e de outros municípios. Pessoas sem perspectiva alguma convivem diariamente com pessoas abastadas fechadas em carros importados. E isso não é um problema de polícia. Forçar a barra para que a Seds apareça como única solução para o problema plural e secular da segurança é apostar que é possível a tarefa de enugar gelo. E querer que todos acreditem que gelo se enxuga. Basta um pouco mais de sol, e a coisa toda começa a virar água. É pena que as pessoas que podem ajudar a resolver os problemas de segurança estão fora da discussão. Aí estão incluídos, ou melhor, excluídos desse tema polissêmico, os policiais de baixa patente, os cidadãos comuns e as entidades representativas dos interesses coletivos, vistas ainda como perigosas porque questionam. As polícias e políticas de governo são tradicionalistas. Não aceitam sugestões. orquanto, a Seds vai mudar de comando, mas a situação vai ficar inalterada. Dentro de quatro anos o tema segurança subirá novamente aos palanques, e descerá deles com a uma disposição imensa de enxugar mais gelo. (*) É sargento da PM.

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