Opinião
Um PAC da bonan�a?
Inegavelmente um dos maiores sucessos dos oito anos de Lula na Presidência da República foi o ?Bolsa Família?, programa de transferência de renda que possibilitou uma ascensão social em massa?como nunca visto na história deste País?. Mas também é inegável que tal processo exige uma complementação estratégica que possibilite a inclusão produtiva desses milhões de migrantes sociais. Anunciado para a inclusão produtiva desses milhões de ascendentes, o chamado ?PAC da erradicação da miséria? assoma com a natural tendência de despertar vivas polêmicas. Razões para um debate instigante não faltam, pois este processo, evidente complexo, terá que interagir com a sustentabilidade macroeconômica, o que exigirá uma solidez verdadeira para o processo de desenvolvimento. Em relação ao Bolsa Família, a crítica que merece atenção redobrada é aquela que aponta para um provável caráter assistencialista do programa e denuncia sua falta de sustentabilidade por conta da não inclusão produtiva do assistido. De fato, esta é uma combinação insustentável. Erradicar a miséria no Brasil já foi uma quimera. De sonho impossível, ao longo da última década, pulou para a condição de realização factível, posto a combinação favorável da estabilidade e crescimento na economia e da alta mobilidade social. Mas de ideal possível a projeto realizado, o caminho não é simples nem fácil. Ir com muita sede ao pote é um risco de engasgo e demorar-se no caminho pode significar morrer na praia. O PAC para a erradicação da miséria é uma necessidade improrrogável, mas exige acurado planejamento, unidade da base política, apoio efetivo em todas as camadas produtivas e, essencialmente, cobra recuos efetivos na burocracia estatal e no radicalismo tributário vigentes. Erradicar a miséria no Brasil ainda é um projeto hercúleo.