Opinião
Descobrindo Portugal
Vendo as estradas portuguesas não dá para acreditar que haja crise. Portugal inteira é servida de uma malha viária invejável. São estradas, destas que não se vê um descuido. Imagine o leitor, que não há uma rachadura, um buraco, uma lombada, um desnível sequer. Acostamento com telefone a cada cinco quilômetros, creio eu. Depois, você só encontra cruzamentos nas cidades, nas estradas há, geralmente, uma ponte que cobre o outro trecho. Quando o sujeito ou erra, quer voltar, há sempre um balão, girador ou rotunda, como chamam aqui. Aliás, o português só diz ?tunda?, o ?ro? a gente nem percebe. Há um preço para esse conforto? Há sim, grossos pedágios, que aqui são chamados de portagem. Para dar uma ideia, transformando isso em euros, entre Lisboa e Vila Viçosa, dando um pulinho em Évora e Estremoz, mais ou menos duas horas de viagem, paga-se 28 euros mais 2,5euros na Ponte Vasco da Gama. Não ouvi reclamações do tributo. Tudo indica que o estado das rodovias portuguesas vale até mais. Mas o impressionante mesmo são as linhas de metro(metrô). Com apenas 85 cents, atravessa-se a cidade. Passa-se da linha vermelha, para verde ou azul, com o mesmo valor. O tempo de espera é inacreditável. Não precisa ninguém correr para entrar num vagão(carruagem) que está fechando. Poucos minutos depois chega outro. Compra-se o bilhete na máquina. Se o passageiro tem apenas moedas de 2 Euros, a máquina dá o troco enquanto recarrega o bilhete. Depois é só passá-lo pelo portão e pronto. O sistema de escadas rolantes(passadeira) ajuda a acessar os diversos túneis de cada uma das linhas. E, se o trecho a andar é grande outras passadeiras, chamadas tapetes andam pelo utente(usuário). Em compensação andar de carro em Lisboa é um problema. Principalmente nas horas de ponta ( rush). Se não bastassem os engarrafamentos, estacionar é um bicho. Gasta-se mais tempo nas bichas(filas)que dirigindo. Os parques(estacionamentos) estão sempre cheios. Depois, garagem é um luxo que não chega a, talvez 80%, dos portugueses. Eles estacionam mesmo é nas ruas, o mais próximo de sua residência. Não há vaga garantida. É de quem chegar primeiro. Minha filha reclama o alvoroço do tráfego e das arengas. Só vai aos supermercados mais próximos, mango eu. Como pedestre aqui é peão, é melhor tomar cuidado. Igual ao Brasil,quem está de carro é o dono da rua. Mas, o que me preocupa é outro assunto: a nova lei que obriga a unificação da língua portuguesa ? o acordo ortográfico, que aqui está entrando em vigor. Não vai ser fácil! Mas isto é tema para outro artigo. (*) É escritor.